Poesia


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"- Leia alguma coisa para mim. - ele disse, enquanto a desgraça da ambulância passava direto por nós.
Então, enquanto eu esperava que eles dessem a volta e nos encontrassem, recitei o único poema que me veio à cabeça: " O carrinho de Mão Vermelho", de William Carlos Williams.


tanta coisa depende
de um


carrinho de mão
vermelho


esmaltado de água de
chuva


ao lado das galinhas
brancas


Williams era médico. Aquele parecia, para mim, um poema de médico. Tinha acabado, mas a ambulância ainda se afastava de nós, então fui compondo o poema.

E tanta coisa depende, falei para o Augustus, de um céu azul descortinado pelos galhos das árvores. Tanta coisa depende do tubo de alimentação transparente erupcionando das vísceras do garoto de lábios cianóticos. Tanta coisa depende desse observador do universo.
Só metade consciente, ele olhou para mim e murmurou:
- E você ainda diz que não escreve poesia."


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