Game Over


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Game Over

Hoje foi mais difícil que o normal. Acordei meio que assim, cansada. Dessa vez, não era um cansaço em meu corpo, acredite, eu chequei. Chequei uma, duas vezes. Cada osso em seu devido lugar.
Hoje eu acordei para baixo. Deprimida. Sem forças. Às vezes isso acontece, meio que assim, de repente. A armadura pesa. A máscara descola. Chega um momento em que a dor dói tanto, que lateja e abre a ferida. Simplesmente você não aguenta. Tem que despir a armadura, pôr de lado a máscara e se livrar de toda essa dor, para depois pôr a máscara novamente.
Acontece que cansei de fingir e fazer minha vida rodar ao redor de que não me quer, quem não me enxerga, quem não acha que eu valho a pena, cansei.
Acordei cansada, passei o dia que nem uma morta-viva, até perceber isso. Acordei, respirei, tomei café, fingi, brinquei de viver, até que percebi, tenho que ser mais eu e parar de querer ser quem não sou, quem nunca fui. Não há tempo para isso. A vida é muito curta. A adolescência é muito curta, e essa, foi uma das coisas que nunca tive, simples assim, quase não vivi, achava perda de tempo quando eu via outras pessoas por aí que sempre pareciam merecer ser mais felizes que eu. Empurrei meus limites, tirei de mim e tentei dar para os outros o que nunca tive, a felicidade que nunca encontrei, achava que sempre o próximo merecia mais que eu, porque eu sou eu, assim imperfeita como sou, ingrata, hipócrita, alguém que não sabe amar, não o suficiente para sustentar um relacionamento que preste, que seja auto-suficiente, que crie suas próprias asas e não exista apenas em minha mente.
Fui tudo isso, assim mesmo, nessa mesma ordem: egoísta, hipócrita, ignorante, ingrata, sem saber amar, fui tudo isso e um pouco mais, até levar um tapa da vida, que inclusive, é uma coisa que ela ama me dar, tapas e mais tapas, um atrás do outro, incontáveis, não tenho tempo de respirar. Pergunto-me se não foi culpa minha e só minha. Será? Talvez sim, talvez não, talvez mais ou menos. Talvez. "Talvezes" não funcionam, quero uma resposta, resposta essa que nunca virá. Apenas mais tapas. Tapa. Levanta. Acorda. Finge mais um pouco. Cai de novo. Levanta. Veste a máscara. Morre. Tenta mais uma vez. Continue? 9, 8...

Escutando: Meus demônios interiores
Lendo: O livro da vida
Assistindo: A vida passar
Jogando: A vida fora
Comendo: Amargo
Bebendo: Do meu próprio veneno

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