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Precisamos falar sobre Effy Stonem


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Precisamos falar sobre Effy Stonem

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OBS: vale lembrar, desde já, que este jornal se trata de uma visão minha sobre o assunto, então a gente dispensa mimimi.

Alguns dias atrás eu vi algumas coisas na minha tl que me deixaram profundamente triste, e me fizeram voltar na ideia de escrever esse “inútil” texto sobre Skins. Eu já havia nutrido um ardente desejo por escrever um texto sobre isso, após ler um artigo sobre, que você pode encontrar AQUI


Tudo o que me levou a escrever esse texto foi a forma como algumas pessoas (fãs da série, assim como eu) romantizam toda a situação, não somente da Effy – ainda que principalmente –, como de todos os outros problemáticos personagens.

E antes de começarmos a falar sobre tudo, vamos entender o que realmente é romantização:

❝A romantização consiste em transpor uma narrativa para a forma de romance❞
– Wikipédia, a enciclopédia livre


E onde exatamente isso se encaixa nas declarações do tipo “eu queria ser a Effy”, “eu queria ter a liberdade que eles têm” “eu queria um relacionamento igual o da Effy com o Freddie”? No fato de que as pessoas estão tratando como romântico, legal e ideal/correto situações e personagens totalmente destrutivos.
Mas, pra que você, leitor, entenda o que eu estou querendo dizer, primeiro entendamos: Quem é Effy Stonem?

Partamos da premissa de que a personagem é representada pela atriz Kaya Scodelario, uma atriz britânica de ascendência brasileira (o que acaba por conquistar ainda mais os fãs do Brasil), que sempre foi muito conhecida por fazer o papel de Effy em Skins.

E, falando em Effy, quem realmente ela é? O que há de errado com a personagem que, na minha visão, é a mais romantizada da série?

Effy é a irmã mais nova de Tony, um cara manipulador, que adora jogos sujos e é o famoso “pegador” – já começamos a coisa por aí. E se podemos definir a personagem em poucas palavras, seriam estas sedução e manipulação, mas em uma atmosfera bem diferente da de Tony.
Inicialmente, Effy era a personagem silenciosa. Tudo com relação a ela era um grande e maldito enigma, mas com o desenrolar da história, ela foi uma das personagens que mais cresceu no quesito das cargas emocionais. E isso é nítido em situações como quando o próprio irmão sofreu um atropelamento (e quem assistiu, deve-se lembrar muito bem da quebra psicológica que isso causou), onde a carga emocional chega a ser pesada. E talvez isso tenha pegado no âmago sentimental de muitos adolescentes, fazendo-os sentir menos sozinhos no que diz-se respeito à isso.
Mas nós não paramos por aí, Effy é muito mais do que a personagem carregada de emoções tão presentes. Effy é também a garota que, em certos momentos, finge não ligar para ninguém, que sempre tem as frases na pontinha da língua, seja para o que for; e que, infelizmente, se encaixa em alguns estereótipos tão presentes na série – mas esse é assunto para outro texto.

O que mais me preocupa nela é toda a carga psicológica que as pessoas romantizam. Falando como futura vestibulanda de psicologia, isso é grave. Para os que são mais leigos no assunto, Effy claramente é portadora de depressão, o que, sinceramente, me leva a perguntar: por que uma pessoa gostaria de ser depressiva? E, ainda mais, ela tem depressão bipolar psicótica.

E o que seria isso?

Basicamente, a depressão é dividida no que chamamos de esferas ou domínios, como queiram chamar. E o que seria a depressão bipolar psicótica?
Substancialmente, a depressão bipolar é aquela onde o doente (sim, doente) é portador de uma bipolaridade – o que é auto explicativo, em si mesmo –, que se aplica nas variações de humor e sentimentos da mesma. A depressão psicótica se aplica na categoria que definimos como maior, totalmente atípico, onde a pessoa se torna psicótica e depressiva ao mesmo tempo, trazendo para ele(a) uma visão distorcida da realidade.
Ou seja, Effy é uma depressiva bipolar psicótica. É uma garota que tem variações incomuns e frequentes de humor e sentimentos, apresentando características de uma pessoa psicótica, não tendo noção alguma da realidade como ela realmente é. E a pergunta que eu faço é: alguém, deveras, quer ser como Effy?

Estamos falando de coisa séria, de uma doença, que assim como o câncer, a tuberculose e tantas outras doenças, mata. Estamos falando de uma pessoa que morre todos os dias, sentimental e psicologicamente. Estamos falando de pessoas que realmente são como Effy e que dariam uma vida para não serem; e de tantas outras, que por se iludir com toda a aparente convicção de vida de Effy, sua forma irreverente e seu uso incontrolável de drogas, querem ser como ela. Querem ser doentes.

E, para finalizar, por que querer um relacionamento como o dela e de Freddie?

Todos sabemos que os jovens em geral (e também eu, admito) somos apaixonados por casais que parecem ter nascidos um para o outro, não é? Mas talvez haja um grande pano tapando nossa visão para a realidade, não somente sobre Effy e Freddie, mas sobre todos os outros, reais ou fictícios, criados pelas séries hollywoodianas ou por nós mesmos.

Creio eu que esse é o ponto mais crítico da romantização da personagem, não somente por se tratar de um “amor”, mas por envolver problemas psicológicos.

O que temos entre Effy e Freddie não é amor.E não me venham dizer que é, porque, de verdade, amor é uma definição bem diferente. Isso é dependência, é a necessidade fora do normal de proteção (dar uma olhadinha no dicionário é bom, galera).

Effy é sim uma doente mental, e isso não é uma coisa ruim de assumir. Uma coisa ruim é ter a ideia de que, por conta disso, ela precisa depender de alguém, como aconteceu com Freddie.
É óbvio que todas as pessoas precisam de carinho, de proteção, de cuidado. Mas era pra ele ser um namorado, não o pai dela. Essa é a grande e abundante exceção.
Uma pessoa depressiva ou qualquer doente mental não se resume a sua doença. Ele não precisa depender de alguém para viver e/ou ser feliz, afinal, isso é destrutivo para ambos os lados. Para ela, pois toda a sua existência está depositada em uma pessoa passível de erros; assim como para ele, que acaba se prendendo à ela, não por amor, mas por culpabilidade.

Por fim, por que precisamos falar de Effy Stonem?

Gostar da personagem não tem erro nenhum, eu mesma sou apaixonada, não somente pela personagem, mas também pela atriz e pela série em si. O problema é querer ser como ela. O problema é achar correto ser como ela. O problema é achar que é legal depender de um cara para permanecer viva. O problema é achar que manipular as pessoas é normal. O problema é achar que é normal um adolescente ser totalmente descontrolado.

Por trás de todo personagem há uma história, e temos de ponderar bem aquilo que queremos para nós. Effy – assim como Harley Quinn, como o Sid, como a Cassie, como o Max – tem uma história, que devemos tomar como lição de vida, sim, mas não da forma errada.

Escutando: yes, girl - bea miller

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