~Princesa_Caos

Princesa_Caos
Nome: Caos
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Nova Iguacu, Rio de Janeiro, Brasil
Aniversário: Indisponivel
Idade: Indisponivel
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Reino Dos Sonhos


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Reino Dos Sonhos

Viver? É uma palavra engraçada hoje em dia. As pessoas vêm cada vez mais se tornando escravos da tecnologia e regras criadas pela própria sociedade. Criatividade é algo raro, praticamente não existe. O mundo é apenas preto e branco, sem cores e sem emoção. Viver não é um presente aos vivos, é apenas uma obrigação. E que droga de obrigação!

Os demônios em baixo da minha cama, antes amedrontadores, não são nada comparados às provas de matemática, física e química. Ou o pensamento de que qualquer falha fará os pais chorarem e pensarem em como seu filho é inútil mesmo que o pobre coitado estude feito louco para agradá-los, passando dias sem dormir e comer direito.

Profissões são cansativos, obrigatórios para que possa sobreviver numa sociedade que só sabe criticar. Já estou cansada dessa sociedade! Estou enlouquecendo meu pequeno diário! Preciso de uma salvação e urgente!”


Fechei meu belo diário. Ele é simples, porém fofo. É o único que ouve meus problemas. Meu único amigo...Todos os dias venho ao Central Park para pensar e refletir a vida, grito palavras mudas que só ele pode ouvir.

Por um instante, parei para olhar as pessoas ali presentes. Nenhuma me chamou a atenção, eram todas iguais. Mães e donas de casa passeando com os filhos, mas sem dar muita atenção a eles. Homens de gravatas e paletós luxuosos passando apressadamente enquanto fala no celular, sem nem mesmo prestar a atenção na bela paisagem do Park. E algumas pessoas solitárias passeando com seus bichinhos, sem se importar com a sujeira que seus animais faziam.

--São todos iguais…--Falei e em seguida dei um longo suspiro.

Estava pronta para ir, mas, pela primeira vez, alguém me chamou a atenção. Um rapaz, mais ou menos da minha idade, com roupas sujas e rasgadas, cabelo bagunçado e até um pouco mais magro que eu. Ele trazia consigo um pequeno banco e um megafone. O ‘’mendigo’’ colocou o banco no meio do Park e subiu nele, falou algo pelo megafone, não entendi muito bem. O rapaz chamou a atenção das pessoas e ao perceber isso, abriu um largo sorriso no rosto, que aliás era bem branquinha.

--Olá.Vocês devem estar se perguntando “quem é este louco com um megafone”,certo?. Eu lhes digo, sou apenas um caminhante que perdeu o medo de se perder. Muitos me chamam de louco e zombam de mim pelo simples fato de não ser preto e branco como eles e…--Ele fez uma pausa, dando uma bela olhada em sua ‘’plateia de curiosos’’ e logo voltou a falar.--Vocês.

Tal discurso criou um rebuliço entre os ouvintes, cochichavam e se perguntavam quem era aquele estranho mendigo. O jovem rapaz abriu ainda mais seu sorriso e voltou a falar, parecia animado. Porém, as pessoas não aceitaram muito bem o que o jovem rapaz dizia. Um homem jogou um saquinho de sujeira canina no jovem sábio. As pessoas também começaram a vaiá-lo como se o que ele falasse fosse um absurdo. Por conta do susto, o rapaz caiu do banco e seu megafone, com o impacto, acabou quebrando.

--Quero ver falar tolices agora!-- O homem que jogou sacola com sujeira de cachorro zombou do pobre coitado.

Envergonhado e um pouco machucado com o tombo, pegou seu megafone e o banquinho e saiu correndo. Percebi algumas lágrimas escorrerem pelo rosto. Queria me levantar e falar, dizer que aquilo era errado. Ele não havia feito nada demais! Além disso, era a pessoa mais colorida e corajosa que havia visto!

Fui embora indignada com a forma que aquele homem careca e gorducho havia tratado o mendigo. No caminho, começou a chover. Corri para casa feito um foguete, a chuva sempre foi minha inimiga. Ela me deprimia, me impedia de ir no Park, meu refugio, meu lugarzinho de pensar.

Ao chegar em casa estava ensopada. Tirei meus sapatos e deixei-os num canto qualquer. Subi as escadas sem fazer muito barulho, preocupada com a reação de minha mãe se me visse toda molhada. Entrei no meu pequeno banheiro do meu quarto e fiquei por lá mesmo. Se banhei na banheira e relaxei por alguns minutos, bem, eu acho que foram minutos.


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