~hansanghyuk

hansanghyuk
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Desperta...


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Desperta...

Desperta de teu sono profundo, resgata-me pois vês que já não aguento mais e já estou à beira do penhasco à tua espera, para então desfalecer em teu leito.

Porque a verdadeira morte inicia-se de dentro para fora, em seu íntimo obscuro, profundo e repleto de sentimentos paradoxos e indecifráveis que apenas o mais torpe e machucado coração entenderia.
Venha e sacrifique-me, decerto não mereço esta vida que tenho, ou talvez ela que não me mereça, nunca saberei. Junta meus pedaços, quebrada estou como nunca encontrei-me antes.

As estradas são longas e difíceis de se percorrer nessa viagem sem sentido algum, percebemos que temos tão pouco tempo, e ainda há pessoas que procuram compreender o fato da vida. Apenas existimos, não existe um porquê. Do pó viemos e ao pó voltaremos.

Acolhe-me, preciso te sentir, e ver que não estou só. Encontro-me recostada numa fria e dura cabeceira de uma cama simples, derramando lágrimas por fora, as quais inundam o meu rosto, rosto este que acompanha o trajeto das grossas gotas de sangue rubro que escorre de meu pulso esquerdo, acompanhando-as até que caiam no colchão.

Orgulho? Não posso apossar-me dele, nem dar-me o luxo de o querer. Nem dá-lo consigo, então não me apetece querer tê-lo. A mórbida imagem que vejo não se compara a morbidez de meus inúmeros, barulhentos e incessantes pensamentos, que me rondam nesta gélida e escura noite, sozinha neste cômodo de quatro paredes, o qual acostumei-me a chamar de quarto. Lembras-te dos dias de minha mocidade e que eles um dia sirvam-lhe para alguma coisa.

A humanidade caminha para o fim, eu caminho junto com ela. Meus tornozelos e pulsos, acorrentados estão com enferrujadas correntes formadas pelo meu mais íntimo e obscuro ser. Até minh'alma abandonou-me, sinto-a sair pelos poros de meu corpo pálido e gélido, sinto os ossos furarem minha pele. Em breve, nenhum ser humano comum aguentará minha lânguida e mórbida presença, então fará o que lhe mais beneficia: se afastará de mim.

Necessito da música, ela me distrai, e o mais importante, não deixa-me em hipótese alguma a sós com meus pensamentos suicidas, ele poderiam matar-me, um dia eles com toda a certeza me matarão, deixarão jazir o corpo sem vida daquela que atormentaram por anos.

Escreves-me de volta, aguardarei com a ânsia de um esfomeado que há décadas lamenta-se e sofre no deserto, assim te anseio e te desejo. Como a saúde para um enfermo, como a capacidade de enxergar para um cego, te preciso mais do que nunca. Enquanto isso, permaneço aqui, presa por minhas invisíveis correntes, lutando contra mim mesma e contra minha vontade de entregar-me de uma vez a ti. Cogito a hipótese de que nem tu há de me querer, uma insignificante carne fétida de alma podre e de coração ensanguentado. Mesmo sem teu consentimento, quando chegar a hora, recebes-me, oh Morte!


De tua sofrida e velha amiga, Alyce.

Assistindo: O meu sangue pingar

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