Trecho do Livro pra Rany <3


Postado

Trecho do Livro pra Rany <3

Capítulo Um
‘’-Realmente Não Sou Bom De Briga’’
Acordo automaticamente e obrigo-me a abrir os olhos, mas não tenho forças pra levantar, muito menos coragem. Ao encarar o teto, tenho a consciência de que hoje seria mais um dia como qualquer outro, cheio de lutas e mortes e os mesmos problemas. Realmente muito animador.
Mas é muito cedo pra pensar nisso agora. Além do mais não quero deprimir você, soldado. Quando olho pela janela, vejo que são mais ou menos 05h50min. Dez pra seis. Tem sido assim desde que me entendo por gente. Quando me levanto pra treinar e quando minha mãe termina de fazer o café.
Estou no nível iniciante com 16 anos. Sim, ainda sou um adolescente e sou iniciante nas batalhas! E olha, isso pega muito mal com as garotas. Elas preferem o tipo Brad, o guarda-roupa humano que também é espadachim. O cara é um monstro em todos os sentidos, principalmente quando se trata de artes marciais. Brad tem o corpo de um homem, comportamento de adolescente e mentalidade de criança. Mas no fundo é legal. Como sei de tudo isso? Ah, esse babaca é meu melhor amigo. No fundo ele é só um menininho assustado procurando refúgio em algum colo de qualquer menina. Típico adolescente dos Vermelhos.Já minha família não era tão ligada a mim por eu não progredir muito nos treinamentos. E como meu pai sempre diz, ‘’isso é uma grande afronta à honra da nossa casa!’’. Há, como se tivéssemos alguma!
-Bom dia, Artie. - Ouço minha mãe entrar em meu quarto sorrateiramente, com medo de que eu ainda estivesse dormindo, o que é meio irônico, porque ela me acordaria de qualquer jeito. Ela até que era bonita pra sua idade nunca revelada. Mas sei que é muita, pois meu irmão mais velho tinha 32 quando se mudou para os Alfas. Olhos atentos, sorriso largo e cabelos longos cor de mogno. Essa era a Dona Mell.
-Bom dia, mãe. –digo me levantando. – a Liss já saiu? Precisava perguntar algo a ela.
Liss é minha outra irmã, mas eu quase nunca a vejo porque ela ajuda na fabricação de armas do nosso quartel.
-Já. Posso saber o que você queria com ela? Talvez eu possa ajudar. –Ela diz sorrindo.
Minha mãe era o tipo de mulher que é bondosa no fundo. Mas lá no fundo. Bem lá no fundo mesmo. Mas em geral, ela era boa conosco. Não era aquelas donas de casas loucas por limpeza ou por jantares impecáveis. É claro que ela fazia tudo da melhor maneira possível, mas, como sempre digo, ela era melhor como mãe do que como cozinheira.
-Ah... Não. Era só uma dúvidazinha sem importância. Nada demais. –dou de ombros.
E a conversa? Acaba aqui mesmo. Não éramos uma família que resolvíamos tudo a base do diálogo, aliás, diálogo é uma palavra que não consta no dicionário da maioria das pessoas por aqui. A maioria parte logo para os socos e pontapés (isso em situações mais leves) e está tudo certo. Gostaria de dizer que tudo se resolve de maneira simples e rápida, mas como podem imaginar, não é nada assim.
-Escuta filho... –Dona Mell começou com aquele tom de ‘’incentivo’’ e não me controlo, acabo revirando os olhos. Ela percebe e me dá um tapa no braço. –Seu bobo, me deixa falar.
-Diga, Capitã. –sorrio fraco. Esse era o posto da minha mãe no nosso quartel. Sub-chefe.
-E o treinamento? Como vai? Está muito difícil? Eu posso dar um jeito se quiser. É só me dizer e...
-Mãe. – a interrompo. –Agradeço, mas se eu for fazer mesmo isso, quero que seja por meu merecimento e não porque minha responsável comprou meus superiores.
Ela fica calada. Espantada era a palavra certa. Estávamos pra ter essa conversa há tempos, mas nenhum dos dois tomava atitude alguma.
-E quem garante que quero mesmo ir pro C1? Todos eles sempre acabam aqui. Não importa pra que quartel se eleve. Sempre voltam para essa droga de matadouro! Parece que estamos fadados a vir pra cá, parece que tudo vai dar errado, não importa o que façamos. E eu odeio isso. –continuo. –Me pergunto se não tem outra saída. Qualquer uma, talvez os...
-Não ouse dizer essa palavra. Não ouse. –ela me corta irritada. –Vai fazer como seu irmão? Largar-nos e ir para aquele bando de hienas risonhas? Não há nada lá que te interesse Arthur. Nada.
-Se é tão ruim então porque Carter nunca voltou? Ele vivia mudando de quartel, mas sempre acabava aqui como todos os outros. A beira da morte. Só não acabava com si próprio porque Liss fazia guarda. Mas mesmo assim...
Todos meus argumentos tinham se acabado. O desconhecido nos amedronta, principalmente quando todos a nossa volta dizem que ele é horrível. Onde eu estou com a cabeça? Os Alfas não são uma opção. Se tiver que morrer, morrerei. Essa é única coisa da vida que não pode ser evitada: a morte. Ironia? Claro.
-Eu não sei o que fazer mãe. Dê-me um momento. Sei que vou escolher o melhor pra todos.
Ela concorda e sai batendo o pé. Isso porque ela é mulher. Minha vontade é dar com a cara de cada um na parede, até eles admitirem ‘’só fazemos merda, só fazemos merda, ui, é verdade sim, só fazemos merda’’.
Apesar de ter dito aquilo a Dona Mell, na verdade eu não queria pensar no melhor pra todos. Quero o melhor pra mim, a curto e longo prazo. Egoísmo? Talvez. Mas, se ninguém se importa comigo na hora de fazer uma escolha, por que eu deveria fazê-lo? Dizem que se não fazemos algo de coração aquilo é o mesmo que fazer nada.
E esse nada, essa palavrinha irritante que nos persegue. ‘’Nada’’. Eu sinceramente a odeio. Todo mundo a usa pra tudo, mesmo o sentido dela sendo nada. As pessoas nunca sentem nada, nunca almejam nada, nunca conquistam nada e morrem de medo de se tornar isso. Um Nada. Pra mim só o fato de você usá-la demais como desculpa pra algo já o torna um nada. Só mais um nada em meio a vários outros nada buscando nada em um nada.
Não quero ser um nada, soldado. Não quero mesmo. Você é um nada, soldado? Aposto que não. Só de estar lendo tudo isso aqui já prova que você toma atitudes por determinadas intenções. Nadas não tomam atitudes. Nadas nem sabem que não são nadas. Você não é um nada, não importa o que pense ou o que digam. Você não é um nada, você é tudo para alguém, seja lá quem for. E é importante pra mim, soldado. Lembre-se disso quando se sentir tentado a se destruir como todos apóiam que você faça. Eles não sabem de nada. Eles, é que são nada. Isso deve ter ficado deveras confuso, mas é a verdade. E a verdade nem sempre é fácil de ser aceita ou entendida.
Dou um longo suspiro, e vou tomar café. Todos já haviam saído. E com todos, quero dizer minha mãe, A Dona Mell; meu pai, o General Adcer; e Liss, minha irmã. Essa era minha família. Na verdade, eu tinha outros dois irmãos: Donna, que foi achada morta no Quartel Três; E Carter. O que se mudou para os Alfas.
Essa era uma questão tabu em minha casa, assim como em qualquer outra casa dos Vermelhos.
Os tão temidos Alfas. Por mais que minha vontade fosse destruir tudo isso, eu me interesso por eles. O modo totalmente diferente e estranho de encarar a guerra. Como eu disse, ninguém nunca volta de lá, e não sabemos se isso acontece porque eles querem ficar lá ou são mortos. Mas de uma coisa sei, todos os poucos que vi até hoje pareciam estar mortos. Mortos de felicidade. E por mais que todos me digam que não, essa é uma morte dá qual eu correria pra encontrar de braços abertos. Na verdade, adoro esse tipo de mortes.
É, existem mortes pelas quais vale a pena se viver pra poder morrer.

Lendo: A Cadeira de Prata
Comendo: Coxinha :3

Gostou da Jornal? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...