~Schwerdtner

Schwerdtner
Nome: Fernanda Schwerdtner
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Aniversário: 19 de Fevereiro
Idade: 15
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Interrompi o trânsito


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Interrompi o trânsito

Estava indo para o trabalho hoje, quando deparei-me por atrasada. Corri até o ponto de Ônibus – mesmo com esse maldito salto alto que o trabalho me obriga a usar – porém nada adiantou. Perdi o ônibus, o próximo agora só chegará na próxima olimpíada. Quem mora na zona norte vai entender.

Peguei minha carteira com o objetivo de pegar um táxi e vi que tinha esquecido de trazer dinheiro, só tinha meu rio card. Meu Deus, tinha como o dia piorar? Desculpe, mãezinha, irei roubar sua frase: É a famosa Lei de Murphy.
Foi então que aconteceu. Sentei no banco do ponto para esperar o próximo transporte quando um carro deu uma freada fazendo todo mundo se assustar. Olhei, transtornada, para o relógio temendo ser uma batida, o que significava um atraso a mais. Os primeiros xingamentos foram chegando, quando ouvi:

-Alice?

Essa voz...Aquela voz.

A primeira coisa que fiz foi ter certeza que era comigo. Aproximei-me do carro e o vi. Ainda era a mesma pessoa. Olhos intensos e firmes, o sorriso malicioso, a franja castanha quase caindo nos olhos verdes e o loiro como seu cabelo ficava no sol. Eu o reconheceria de longe, assim como fez comigo.

- Quanto tempo faz? Cinco anos?

-Sete.

Ele se espanta.

Fizemos aquelas perguntas de sempre. Como vai a vida? Casado? Teve filhos? Bem desperdício de tempo. Conhecíamos-nos mais que nós mesmos, mas não o culpo pelas perguntas, coisas mudam, pessoas mudam. Éramos tão jovens.

Eu dezesseis. Ele dezenove. Planos não concretizados. Promessas não cumpridas.

As buzinas começaram a surgir. Demos-nos conta da situação logo depois. Ele tinha acabado de parar o trânsito só para falar comigo.

No fim da rua, avisto o meu ônibus.

-Está indo aonde? Quer uma carona?

Queria não ter hesitado, porém aconteceu. O barulho da rua acabou me pressionando.

-Não, não precisa. Estou indo ao trabalho e meu ônibus está logo ali.

Fingi que sua cara de desapontado foi apenas imaginação minha. Despedimos-nos. Ele andou com o carro, deixando para trás toda a lembrança de anos da minha mente em apenas cinco minutos.

Já dentro do meio de transporte, lembro-me da aula de literatura que tive no ensino médio um pouco depois de conhecê-lo. Todo mundo tem uma pessoa na vida que é seu amor verdadeiro. Não é obrigatoriamente seu parceiro ou parceira atual. Ele foi o meu “certo” no tempo errado. Ele sempre foi e será o meu amor verdadeiro e, sim, teríamos dado certo e havia chance de estarmos juntos até hoje.
Se eu tivesse sido o amor verdadeiro dele.

Escutando: https://www.youtube.com/watch?v=q31tGyBJhRY

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