Felicidade


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Felicidade

Em quanto o vento das árvores acariciava gelado meu rosto e fazia dançar a barra de minha saia preta ajustada perfeitamente as minhas pernas pela costureira da rua de baixo por um preço barganhado por mamãe, assim como soprava e também fazia dançar os vestidos delicados de seda das mulheres e dos demais convidados, eu olhava para á estrutura de madeira clara enfeitada por retalhos brancos e folhas de samambaia com o pequeno altar de madeira no centro tão delicado e bonito quanto tudo ali parecia ser, sentada em um delicado banco de ferro cravado sob a grama bem aparada de um verde bonito constituindo um daqueles cenários que de vez em quando aparecem em nossa vida e nos dão aquela sensação de que se fossemos um livro essa seria uma daquelas páginas em que um desenho bonito á ocupa inteira ao lado de uma das frases mais profundas e reflexivas da história, ou talvez se fossemos uma casa repleta de quadros esse seria um dos maiores, com moldura de madeira e a imagem de um por do sol gostoso de se ficar olhando, pois estranhamente tudo ali parecia ser bonito se olhássemos pela primeira vez, então eu olhava para o pequeno altar á espera da noiva, com seus trinta e nove anos e seu segundo casamento que dizia dessa vez ser diferente, mamãe estava feliz, com um sorriso grande no rosto toda de azul ocupando o lugar de madrinha, ela gostava da sobrinha que iria se casar, e gostava também de seu antigo marido, mesmo ela dizendo alto na sala á minha mãe que o que importava nele era o dinheiro e a estabilidade, enquanto o pobre coitado dormia na sala ao lado, mesmo ela se casando dessa vez com um dez anos mais jovem e dez vezes mais rico, rodeada de sorrisos apoiadores inclusive o de mamãe, O engraçado é que ela se casou com papai por amor, o mais puro e bonito tipo de amor, ele sem ter onde cair morto, ela de família campestre e tradicionalista com dez irmãos homens de caráter duvidoso e espingardas carregadas até os dentes podendo ser , sem dúvidas um daqueles romances bonitos de capa bordada dos anos 60 que enfeitavam a cabeceira de moçoilas ricas e prendadas que não gostavam de ler, Então olhava de novo para o altar debaixo de um tapete verde modesto repleto de pétalas de rosas brancas e todos os rostos sorridentes espalhados pelo jardim, tão bonito... me perguntava se aquilo era a tal da felicidade mesmo, pois parecia ser, e parecia ser bonito também, porque então eu sentia que não era ela? O por do sol bonito do lado de fora eu sentia ser felicidade há e as flores e árvores em volta também, a decoração também sentia ser felicidade mas as pessoas....nas pessoas eu não sentia felicidade, pois elas pareciam ser felicidade, mas não eram, os olhos deles, eu não sentia ser felicidade, os sorrisos, eu não sentia ser felicidade, mas porque então parecia? Perguntei me se felicidade é algo que se parece ou se sente, pensei então que algumas pessoas vivem parecendo com a felicidade a vida inteira mas sem senti-la, mas elas parecem felizes, elas parecem bem, mas parecer é o suficiente? Talvez a felicidade seja mesmo o que se parece e por parecer é que sentimos concluo comigo mesma, ao olhar para a barra bonita do vestido da noiva, sorri pois parecia algo tão feliz,

Mas engraçado, novamente não senti.


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