~Sakasaki-Aldi

Sakasaki-Aldi
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A Anjo Guardiã


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A Anjo Guardiã

Humanos... Criaturas tão inteligentes, mas com tendências destrutivas. Eu não consigo compreendê-los. Alguns são doces e gentis, outros não passam de animais, sedentos por sangue e lutando apenas para encontrar a morte.

Antes de eu chegar aqui conheci muitos humanos ruins. Mantinham-me atrás de grades, dormindo no chão, comendo o mesmo que os animais que também foram capturados por eles. Mas o pior de tudo era quando eles cortavam minhas assas, um pequeno corte para me tirar a capacidade de voar, faziam o mesmo com algumas aves. Comecei a me perguntar o que eu era. Eu parecia com eles, com os humanos, mas eu não era um, eles não tinha asas e orelhas pontudas e não eram tratados como animais, pelo menos nessa época eu pensava que não, mas depois descobrir que escravizar a própria raça é outra das características deles.

Em algumas noites uma corrente era colocada ao redor do meu pescoço, eram me dadas roupas e eu tinha que vesti-las, então me arrastavam para uma arena onde me exibiam para outros humanos. Muitos gritavam e me chamavam de aberração, porem haviam outros que pareciam ficar maravilhados com minha presença, seus olhos brilhavam e eles me chamavam de anjo. Antes de sair da arena, eu tinha que subir em um enorme poste e então o homem me dava a ordem: "Voe!". Mas eu não podia voar, eles sabiam disso, eles cortaram minhas assas. Toda vez eu caia.

Meu único desejo era saber sobre mim, porque eu não tinha lembranças de onde eu vim ou quem eu era, eu nem mesmo tinha um nome. Perguntei muitas vezes aos homens que vinham me tocar. Eu não gostava disso, eles eram brutos e tinham rituais estranhos, usando seus próprios corpos para entrar no meu. Nunca entendi isso, mas era ruim, me sentia mal, envergonhada e tudo que eu podia que eu podia fazer era fechar os olhos e esperar acabar, porque do contrario eles me batiam, eles sempre me batiam, e isso machucava e deixava marcas.

Um dia, as luzes já estavam apagadas e todos dormiam, eu mesma dormia, repentinamente um grito de horror ecoou por todo o lugar. Em poucos momentos todos estavam gritando e correndo, até mesmo os animais pareciam agitados, eu não sabia o que fazer, chamei por ajuda, mas ninguém veio. Então, vi a besta, vi seus dentes com sangue deslizando, os pelos negros e os olhos vermelhos, e a besta me vi. Parecia agitar-se em um frenesi tentando me alcançar, foi a primeira vez que eu fiquei feliz por viver atrás de grades. Mas a besta insistiu, balançando meu pequeno espaço e o virando de ponta a cabeça, eu cai e me machuquei. Eu só queria que tudo parasse. Nesse momento eu a vi, a humana que me salvou, diferente de todos os outros humanos que eu já havia visto. Suas vestes eram de aço e uma grande espada estava em suas mãos, emitindo um forte brilho de algumas pedras cravadas em sua forja. A besta tentou atacá-la, mas com um único movimento a humana livrou-se da fera.

"O que é você?" foi o que a humana me perguntou. Eu não soube responder, então ela prosseguiu. "Porque está nessa jaula e sem roupas? Quem te colocou ai?". "Humanos" consegui dizer, foram eles que me colocaram ali. "Quer vir comigo? Quer sair de jaula e deixar esse circo para trás?". Aceitei com um simples movimento com a cabeça. Houve uma discussão entre humana e os humanos que do circo, eu vivia em um circo, descobri o que realmente era um circo dias depois. No fim, a humana sacou sua arma e usou palavras ameaçadoras, foi assim que ela me libertou.

Hélène, foi um pouco difícil aprender a pronunciar corretamente, era o nome de minha salvadora e também minha primeira amiga. Ela me levou até sua casa, que ficava em uma grande cidade, ela também me deu roupas, um curto vestido escuro, esse se tornou meu maior tesouro, fora o primeiro presente que eu ganhei, e um lugar para viver. Apesar de ter me salvo Hélène era uma humana bastante ocupada, sua família era algum tipo de clã, que segundo a própria Hélène, tinham responsabilidades para com o reino. Para que eu não ficasse totalmente sozinha, ela me deixou em um lugar maravilhoso, na verdade, toda a extensão da gigantesca moradia de sua família, os François, mas havia uma torre, uma enorme torre a qual chamavam de biblioteca. A torre era repleta de livros, em todas as suas paredes circulares, estantes e mais estantes subiam até os andares superiores. Quando Hélène me trazia para a cidade eu notei que ela carregava um livro junto de si, ela acabou percebendo minha curiosidade e me explicou o que era um livro, e era algo magnífico. Passei a viver naquela torre, era bom, com o tempo minhas asas voltaram a ganhar forças e eu já não precisava usar as escadas, podia voar livremente para os andares superiores. Jennie vinha todos os dias para conversar comigo e me ajudar com o que eu precisava. Eu não entendia muito bem a condição de Jennie, cheguei a pensa que ela era uma escrava, pois fazia tudo que Hélène mandava, mas Jennie era uma criada. Nomes diferentes para coisas parecidas, ao menos Jennie era bem tratada e tinha moradia, alimento e não era forçada a trabalhar ao extremo. Foi Jennie quem me deu outro presente maravilhoso, um nome, Uriel.

É bom viver na biblioteca, os livros parecem infinitos, por mais que eu sempre esteja lendo um ou outro. As vezes alguns humanos vem até aqui em busca de conhecimento, eu tento ajudá-los, alguns se assustam, mas alguns me agradecem e eu gosto disso, é bom ajudar os outros.

Em um dia chuvoso eu ouvi um pequeno pedido de ajuda vindo do lado de fora, eu não deveria sair da torre, mas Hélène também disse que eu era livre, então eu peguei uma lamparina e sai, procurei pela criatura que estava perdida, não foi difícil, era um pequeno gato. O pobre animalzinho estava a beira da morte, eu o segurei nos braços e tentei confortá-lo, então veio, uma onda de energia que eu jamais havia sentido. Vi luzes saírem da minha mão e no instante seguinte a pequena criatura que antes estava quase morto agora estava são e salvo. Acima de minha cabeça algo flutuava no ar, algum tipo de auréola de metal. Hélène apareceu e eu tive que explicar tudo o que aconteceu para ela. "Você está descobrindo seus poderes, agora existem duas escolhas a sua frente. Eu fui ensinada que poderes significam responsabilidades. Tenho minha família para honrar, mas também tenho meu reino para proteger. Você viu, aquela besta negra, existem mais, milhares deles e muitos outros. As vezes humanos conseguem ser piores que esses monstros. Tenho lutado pelo o que eu julgo certo e não vou te obrigar a fazer o mesmo, mas você não gostaria de vir comigo e lutar ao meu lado? É uma proposta Uriel, se aceitar saiba que terão dificuldades e muitas vezes teremos que fazer e ver coisas ruins."

Pedi tempo para pensar, mas agora estou decidida. Hélène é uma boa pessoa e ela me salvou quando todos apenas me usaram. Jennie trabalhava para os François, mas não era uma escrava, se eu lutasse por eles isso também não me faria uma arma de guerra. Mas derramar sangue não é sempre a reposta, estarei ao lado de Hélène, como uma guardiã e não como uma assassina. Alguns já me chamaram de anjo, então será exatamente isso que eu serei. Eu serei Uriel, a Anjo Guardiã.


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