~Sakasaki-Aldi

Sakasaki-Aldi
SrAlditore
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A Caçadora


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A Caçadora

Eu devo começar por meu nome? Pois que seja. Anna Gantalor, filha de Oda Gantalor e Luda Gantalor, também tive uma irmãzinha chamada Adel. Eu acho que não devo falar muito sobre minha família, são passado agora... Eu tenho continuar seguindo em frente.

Ao olhar para trás posso dizer que minha historia está repleta de corpos de bestas ferozes, todos no chão, sangrando, mortos, sendo consumidos por vermes. Alguns poderiam afirmar que sou apenas uma garota de dezenove anos inventando mentiras, ao menos até me verem lutar. Por que quando eu lutando não tem ninguém que me julgue como uma garota indefesa. Como acabei assim? Bem, existe um ditado que diz que ninguém caça bestas sem ter perdido algo no passado. No meu caso, eu perdi tudo...

Terei que falar de minha família de uma forma ou de outra... Pois que seja. Vivíamos em uma pequena fazenda, eu tinha apenas doze anos quando tudo aconteceu, minha irmãzinha tinha dez. Estávamos brincando entre a plantação de milho quando ouvimos um urro selvagem. Como eu era apenas garotinha eu me assustei, nunca tremi tanto em minha vida, minha irmã se agarrou em mim e tudo que pudemos fazer foi ouvir os gritos de nossos pais enquanto algo os dilacerava, nunca vou esquecer o barulho da carne sendo rasgada. Apenas eu e minha irmã, esperando que tudo se acalmasse, ela chorava e eu tentava dizer para ela não fazer barulho, mas eu mesma chorava. Foi quando percebei uma das bestas vindo em nossa direção. Os olhos vermelhos, o pelo claro sendo deixado entre as plantas, o bafo quente e o urro ameaçador. Tentei correr, puxei minha irmã comigo, mas ela não se moveu. " Estou com medo " ela disse, e eu disse que ficaria tudo bem, foi nesse momento que a besta me empurrou com uma cabeçada, o crânio duro devido aos chifres me golpeou com tamanha força que foi um milagre eu não ter perdido a consciência. Ouvi os gritos, mas não consegui olhar, me faltou coragem para encarar a cena enquanto minha irmã era pisoteada pelo monstro. Eu seria a próxima, apenas fechei os olhos para aceitar meu destino, mas não houve dor alguma em meu corpo, apenas um zumbido poderoso enquanto algo passou sobre mim emitindo uma forte luz. Ouvi a besta urrar e recuar,a abri meus olhos para encarar uma figura estranha ao meu lado, um homem misterioso, vestia uma manto surrado e rasgado, alguns cintos e fivelas prendiam suas roupas e bolsas, um capuz lhe escondia o rosto, mas eu podia ver uma barba densa e negra em seu queixo. Ele não olhou para mim, apenas correu em direção aonde a minha casa, era lá onde as criaturas estavam. Apenas vi luzes e urros de dor, parecia o verdadeiro inferno com os condenados gritando em agonia, eu podia sentir uma forte força vindo de lá, mas eu não sabia o que era. Quando tudo se acalmou eu caminhei até a casa, no caminho vi o que restara do corpo de minha irmã, não consegui controlar meu próprio corpo e vomitei. Foi como se eu estivesse expulsando toda a dor que estivesse dentro de mim, mas ela de fato nunca me abandonou. Ao finalmente chegar próxima de casa, saindo da plantação, o que encontrei foi uma verdadeira carnificina, com o corpo das bestas carbonizados, destroçados, vísceras espalhadas pelo chão e tudo de pior que possam imaginar. Em meio a tudo isso estava o estranho homem de antes, com o olhar fixo em algo alem. Acompanhei o olhar dele e bem ao longe, já desaparecendo na neblina da noite estava outra besta, bípede e portando um machado, o animal rugiu e depois desapareceu correndo para longe. " Para onde eu vou agora? " me perguntei, eu não tinha parentes, aquelas feras provavelmente tinham atacado a vila antes de chegar até minha casa, eu estava sozinha. Sem lugar algum para ir, fiz a única coisa que consegui pensar naquele momento, me aproximei do estranho e pedi para ficar junto a ele. " Não " foi tudo que ele me disse antes de partir sem nem mesmo olhar para mim.

Fui até vila, minha ultima esperança era encontrar alguém vivo, mas as coisas ali não estavam melhores que a cena que encontrei em minha própria casa. Todos na cidade estavam mortos e seus corpos, poucos inteiros, ao relento, esperando pelos corvos. " Quem é você garotinha? " ouvi uma voz chamar, me virei e vi homem bem mais velho, longos cabelos grisalhos e uma barba por fazer. Vestia roupas escuras e carregava consigo muitas objetos de metal, os quais eu nem consegui identificar na época, mas em suas costas estava uma besta, enorme, com o metal reluzindo e o desenho de um lobo cuja boca aberta era por onde os dardos eram disparados. " Venha comigo " ele disse me oferecendo sua mão, não havia outro lugar para ir então eu aceitei, foi assim que me tornei uma caçadora.

Os próximos quatro anos de minha vida foram gastos em incontáveis treinamentos, tanto físicos, quanto mentais e até mesmo com um pouco de magia. Os caçadores se tornaram minha família, eu fiz amigos, ganhei mestres e sentia que eu tinha um objetivo nobre pela frente, o extermínio do mal. Acreditei nisso durante todo o treinamento, foi assim que eu fui ensinada, caçadores matam as bestas e criaturas das trevas com seus dardos e flechas para fazer do mundo um lugar mais seguro. Eu fui um prodígio entre meus colegas, os instrutores sempre elogiaram minha velocidade e minha capacidade de esquiva, coisas que eles diziam serem os principais pontos de uma boa caçadora. Também havia outra coisa que eles elogiavam, meu entusiasmo, e eu realmente estava feliz, acima de tudo determinada, jurei para mim mesma que eu mataria os monstros para que ninguém jamais passasse por o que eu passei e junto a isso eu também estaria vingando a morte de minha família. Tudo mudou na minha primeira missão, não sei dizer o que deu errado, talvez nos simplesmente fomos iludidos a pensar que seriamos fortes o suficiente. Vi todos os meus amigos serem massacrados por um único monstro, nunca esquecerei dele, pernas curvadas, o rosto nada mais que um crânio caprino com enorme cifres que pareciam prestes a incendiassem. Havia também a foice, enorme e banhada no sangue de meus companheiros. Meu mestre lutou para salvar a todos, mas conseguiu apenas salvar a mim, " Corra! " essas foram as palavras dele que eu obedeci, correndo para longe de tudo enquanto ele lutava sozinho. Felizmente ele escapou vivo, apesar de que criatura também não fora morta, mas o braço direito de meu mestre já não existia, o que significava que os dias dele de caçador estavam encerados.

Foi nesse episodio que eu percebi que não há significado nobre na causa de um caçador, nem deveria haver, tudo o que eles falavam eram apenas desculpas e ilusões. Lutávamos uma batalha perdida, nenhum de nós seria um salvador supremo que acabaria com o mal definitivamente, por mais que lutássemos as coisas nunca mudariam. Decidi que eu não precisava de um motivo para lutar, eu já não queria um objetivo final que justificasse o que eu iria fazer, ser heroína foi algo que abandonei naquele dia. Vingança, isso era o que eu precisava, nada mais que uma justificativa para matar as feras e criaturas malignas, apenas matá-las e continuar matando até que meus dias nesse mundo se acabassem, sem esperar por nada, sem desejar nada, apenas matar o máximo que eu podia e acalmar minha alma que clamava por aqueles que eu perdi. Infelizmente me tornei em boa em mandar os malditos para o inferno, fiz isso por dois anos consecutivos, eu poderia empilhar os corpos dos que eu matei e chegar até as nuvens com eles, essa é quem eu sou: A caçadora.


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