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Le Café de Flore


Postado

Era final de tarde. Na margem esquerda do Sena, as ruas ainda não estão tão cheias e os restaurantes ainda não estão tão lotados.
Uma menina seguia com passos largos pelas calçadas de pedras. Com um longo sobretudo amarelo, cachecol e um jeans surrado, ela mantinha um misto de arrogância em seu nariz empinado e no seu olhar confiante. Tirou um maço de cigarros do bolso e acendeu um, enquanto apressava o passo pelas ruas geladas de outono. O barulho do vento, arrastando as folhas secas caídas das árvores e as rodas e buzinas dos carros passando pelas ruas, eram tudo o que se podia ouvir.
A garota parou abruptamente em frente a um grande café; parecia indecisa. Jogou o resto do cigarro do chão e segurou a respiração no peito, quando suas mãos enluvadas empurram a pesada porta de vidro do lugar.
Seus olhos percorreram por todo o local e à esquerda, em uma mesa sossegada perto da janela, estava sentado um rapaz alto e magro, com uma palidez quase doentia, que parecia esconder parte de sua beleza.
Seus músculos ficaram tensos quando a viu, seus olhos seguiram seus passos enquanto ela se sentava à sua frente, na mesa de madeira feita para dois. Eles se olharam por alguns segundos, tentavam se reconhecer no meio de tantas mudanças. A menina virou para o garçom e pediu um chocolate liégeois e um típico croque-monsieur, o garoto permanece calado e dá um gole em seu café.
— Le Café de Flore. Boa escolha, mas nem um pouco discreto — ela comentou, em relação ao lugar onde eles estavam. O garoto esboçou um sorriso e encolheu os ombros.
— Então, como você está? — ele perguntou, fitando-a nos olhos.
Ela riu sem humor.
— O que foi? — ele debochou sorrindo.
— Você é patético — ela falou, balançando a cabeça em negação, como se não acreditasse no que via.
— É que você está tão diferente, desde a última vez que nos vimos. Parece outra pessoa.
Ela lhe deu um sorriso sarcástico e bebericou seu chocolate, que já havia sido servido. O clima entre os dois era extremamente pesado e o passado decaia, como uma bola de chumbo, sobre suas cabeças.
— Como se você não soubesse. Você, meu querido, ficou longe por muito tempo. Imagino que não achava que iria encontrar a mesma garota, te esperando de braços abertos.
— Eu não esperava por isso, mas você sabe, às vezes quem está longe — ele começou.
— É quem está mais perto — ela completou. — E você é a prova viva disso, não é mesmo?
— Não sei. Me diga você.
Ela riu pelo nariz.
— Ah, eu acho que deveria pegar um pouco de Sol, está muito pálido. Você se esconde muito do céu.
— O céu é perigoso, Sky — ele brincou com o nome da menina.
— Você pode ter certeza que sim — ela falou piscando e pegou seu casaco no encosto da cadeira.
Sky olhou bem nos olhos do rapaz à sua frente, apreciando o fato de que agora ele parecia um completo estranho para ela, e saiu, o deixando sozinho com duas xícaras vazias a um envelope sobre a mesa.


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