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Metralhadora de corações
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Frases & Parágrafos - Como escrever terror (parte 1)


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Frases & Parágrafos - Como escrever terror (parte 1)

Eu sei que devia ter escrito esse jornal há meses, talvez desde a primeira edição do Concurso Artes Insanas, mas só agora julgo que tenho material suficiente para escrever essas linhas. Não que eu não soubesse como escrever terror (ser leitor de histórias de terror é diferente de escrevê-las), até porque teoria é diferente de prática e escrever vai muito de tentativa e erro, mas tudo muda quando não se tem boas experiências – e eu precisei de tempo para pesquisar. Também peço que não levem o que se segue como verdades absolutas ou obrigatórias para todo tipo de história de terror. É preciso saber dosar e tudo em excesso perde a qualidade.

Esse jornal foi pensado para aquele escritor, seja de fanfics ou não, que caiu de paraquedas no gênero e tem pouca ou nenhuma experiência nele. Assim, decidi organizar esse primeiro jornal em uma série de dicas, até porque tudo que se foca em como escrever alguma coisa sempre vai muito do estilo do autor e o que se quer com ele, fora que aprofundar um gênero é algo mais complexo do que se pensa. Sem mais delongas, vamos às dicas:


1. Goste do gênero.
Isso vale pra qualquer um. Não escreva algo que não gosta e/ou não concorda. Gostar transforma a escrita porque faz você se doar um pouco mais à tarefa, além de, claro, se divertir muito mais escrevendo.


2. Tenha medo.
É sério! Lembra aquela coisa de desabafar escrevendo quando se está triste? O texto não fica muito mais realista? O mesmo acontece com o terror e outros gêneros. Tenha medo do que escreve ou simplesmente enquanto escreve, seja disso ou não. Aqui, vale assistir aquele filme que te dá medo ou ouvir aquela música sinistra. Apague as luzes e tudo se transforma.


3. Tenha em mente o seu público alvo.
Tudo depende de quem você quer atingir com aquela narrativa. Isso vale para qualquer tipo de história, mas lembre-se de que escrever terror para adultos é diferente de escrever para adolescentes ou crianças, tanto na linguagem usada e o que pode ser abordado na narrativa quanto na construção geral da história (personagens, cenários, etc.).


4. GORE NÃO É TERROR!
Uma coisa que anda me incomodando muito ultimamente é o fato das pessoas confundirem gore (narrativa detalhada de cenas nojentas) com terror, talvez até por culpa de obras que levam muito em conta esse tipo de narrativa, como Hallraiser e Jogos mortais. Gente, prestem atenção: todo gore é terror, mas nem todo terror é gore. Causar nojo (repulsa) é diferente de causar medo e narrar algo nojento (mesmo que seja alguém estripando cadáveres) não é, necessariamente, algo assustador para nós leitores, que já estamos acostumados a nos depararmos com isso em outras tramas. Há contos, como A mão do macaco de W. W. Jacobs, que são assustadores sem derramar uma gota de sangue.

Isso nos leva à uma dica extra: nem toda história de terror precisa ter morte. Algumas tratam apenas do terror psicológico (às vezes até mais assustador), mesmo que o herói (vulgo mocinho/vítima) questione sobre sua finitude.


5. Situe sua história.
As coisas perdem a credibilidade se tratadas como “um caso que ocorreu numa cidadezinha pacata qualquer”. Dê nomes, localização geográfica. Se for um lugar fictício, ótimo! Dê nomes mesmo assim. Uma cidade não existe sem um nome, mesmo que esse “Lugar Nenhum”. Talvez valha a pena usar datas, não necessariamente precisas; isso ajuda a deixar a trama mais realista. Mas atenção: pense antes se vale a pena usar datas futuras, algumas histórias não funcionam com elas.

Em outras palavras, não adianta começar com “Foi numa cidadezinha distante”. Tente completar isso,, o mundo está cheio de lugares assustadores. Que tal “Foi numa cidadezinha ao norte de tal lugar. Era 1832 [...]” e por aí vai?


6. Crie um vilão convincente e trate-o como seu protagonista.
Não, não. Isso não quer dizer que o vilão é seu personagem principal e faz o papel de protagonista, mas que ele é seu antagonista que deve ser tratado com a mesma importância do mocinho, afinal, sem ele não existe medo e, consequentemente, não existe história de terror. Em outras palavras, crie peculiaridades, descreva suas ações, monte um perfil psicológico ou, se seu vilão não for uma pessoa, mas um lugar ou objeto, por exemplo, crie motivos para ter medo dele, seja através de uma lenda que o envolva ou de um acontecimento com o próprio herói que faça ele suspeitar disso (como deixar uma maçã em cima da mesa e ela aparecer no seu quarto).

Caracterize seu vilão fugindo do padrão, ninguém tem medo do que já conhece. Criar uma criatura nova pode ser uma boa pedida, coloque nela características que você tem medo, crie uma maneira de se comportar, se movimentar.


7. Transforme algo ruim e algo pior ainda.
Vale criar acontecimentos passados que reflitam o presente ou usar elementos verdadeiros (como casos inexplicáveis, lendas ou histórias macabras de lugares que existem). Também é válido usar crimes, reais ou fictícios, não solucionados, talvez até ligar com o passado do protagonista, tendo ele participado ou só ter feito parte da experiência (como ver, ouvir, etc).

O importante é pegar coisas que já são ruins e piorá-las literalmente
(ALERTA DE GORE), como o que a @young_jae fez em O quarto do medo, usando uma lenda coreana sobre gergelins que nascem na pele e piorando de forma que esses mesmos gergelins, pelo mesmo motivo da lenda, fossem maiores, infeccionassem e explodissem pra nascer outros no lugar.



8. Abuse de clichês e crie a atmosfera de suspense.
Tudo bem que eu não sou fã de clichê, mas às vezes ele se faz necessário, principalmente quando se trata de criar a atmosfera desejada. Aqui, tratamos dos detalhes que causam suspeitas no herói da história, que vão desde sons ambientes às luzes que piscam, pesadelos e bizarrices, como aquela coisa de um objeto surgir num lugar diferente do qual fora deixado. Aqui, mais vale sugerir do que mostrar.

Se atente aos detalhes. Uma história de terror não é uma narrativa qualquer e, mais do que qualquer outra, é necessário narrar tudo o que acontece. A dica dos cinco sentidos se encaixa aqui.


9. Tenha personagens descartáveis.
Se pretende matar vários personagens, separe-os em grupos de acordo com sua utilidade na história. Primeiro, aqueles que só estão ali para ocupar espaço e que são os primeiros a morrer; depois aqueles que têm certa serventia (dar ataque de pelanca e colocar os outros em risco, continuar ocupando espaço, ser o espertinho que diz para se separarem ou o primeiro a descobrir a verdade - isso não deve ser revelado até o fim da história - e morrer antes de contar para os outros); aqueles que sabem da verdade, mas não contam - isso serve pra aumentar o suspense - (geralmente é uma velhinha vizinha do lugar que acontece as tretas e ela raramente morre, mas fujam desses padrões); e aqueles que são importantes para o protagonista e podem vir a ser importantes para o leitor. Esses devem ser explorados. O objetivo é fazer o leitor gostar deles e matá-los no ápice da trama, fazendo o protagonista sofrer em dobro (por estar à beira da morte/desistência e por perder quem era importante pra ele), o que causa mais medo ainda e faz o leitor se descabelar de vez.

ATENÇÃO: Só mate o herói da história se isso foi de serventia para a trama, nem sempre uma história em que morrem todos os personagens é divertida.


10. Corra contra o tempo ou torne-o mais lento.
Contra o tempo: crie um motivo para precisar escapar o mais rápido possível. No filme O iluminado, uma família precisa tomar conta de um hotel (que já tem uma carga histórica de crimes) durante o inverno, o que os leva a ficarem sozinhos durante uma nevasca; mas eles precisam sair - o rádio é desligado pelo vilão e os telefones não funcionam - porque o pai de família está pronto para matá-los.

Torne-o mais lento: não se apresse nas cenas de suspense, se apegue aos detalhes do cenário, dos personagens e das ações. Não explique. Se um personagem ouve algo cair e está sozinho, faça-o ver o que é, faça desse tempo até a descoberta ser uma tortura para o leitor porque o personagem não sabe o que tem lá, mas o leitor suspeita ou já sabe. É aí que ele supõe que vai dar errado e torce para o mocinho sair de lá.


11. Escolha bem o narrador.
Eu, particularmente, prefiro terceira pessoa em histórias de terror porque dá mais liberdade para descrever os detalhes da cena como um todo, não só do ponto de vista de um personagem, mas isso vai de cada um.

No caso da primeira pessoa, não coloque o vilão como protagonista ou tira todo o medo e suspense da coisa (a não ser que o vilão seja também o mocinho e não tenha conhecimento de que ele é seu inimigo, como no filme A janela secreta - que eu super recomendo). O ideal é colocar o herói (protagonista) como narrador, sendo ele o responsável por relatar o que viu, ouviu e sentiu, servindo para ambientar melhor o leitor e revelando pouco a pouco o que descobriu. Aqui, a descrição do cenário pode não ser tão importante (isso depende do tipo de vilão), então só se atente aos detalhes que causam estranheza no personagem.

ATENÇÃO: Caso escolha primeira pessoa, não mate o seu protagonista, afinal ele precisa estar vivo para contar a história (a não ser, por exemplo, que você decida gravar o relato dele e matá-lo depois ou que faça sentido ele narrar tudo depois de morto).


E por hoje paramos aqui, ou esse jornal vai virar um livro.


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