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Frases & Parágrafos - Como escrever terror (parte 2)


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Frases & Parágrafos - Como escrever terror (parte 2)

Agora você sabe que escrever terror consiste em tentar assustar seu leitor, o que pode ser difícil, principalmente se ele for leitor assíduo em histórias medonhas. Para fugir disso, basta evitar clichês mais óbvios como “toda história de terror tem sexo”, “em todo filme de horror o grupo-vítima se separa e morrem”, etc. Rompa com isso e o seu leitor não saberá o que esperar, e é aqui que o medo entra.

Vamos tornar as coisas mais assustadoras?


1. Cenário cotidiano
Quem nunca teve medo de que aquela história de terror acontecesse de verdade, sendo si mesmo o protagonista, que atire a primeira pedra. Quando éramos crianças, era comum ter medo do bicho papão, de palhaços, daquele tio estranho da esquina, da loira burra e de tantos outros, isso porque todos esses cenários eram de alguma forma conhecidos para nós e imaginar que uma coisa ruim pudesse acontecer neles era o mesmo que nos colocar automaticamente como (possíveis) vítimas.

Uma boa dica para fugir das histórias clássicas de terror como as de vampiro, que geralmente contam com um universo muitas vezes místico, é dar asas à sua criatividade e fazer do ambiente comum do nosso dia a dia o cenário perfeito para as atrocidades da sua história (como a Anne Rice fez nos livros da série Crônicas Vampirescas, trazendo o antigo e poderoso vampiro Lestat para o nosso próprio cotidiano, transformando-o em um terrível astro do rock [só para constar, isso não é comédia]). Sendo assim, tente evitar as viagens para casas no meio do nada e crie situações que podem acontecer com qualquer um, como comprar um carro novo ou visitar a casa de um parente distante nada convencional.

Claro que um cenário destruído, como uma casa abandonada no meio do nada, soa mais assustador a princípio, mas experimenta dormir com um monstro debaixo da sua cama.

2. Leia terror/horror
Esse tópico deveria ser a base de todo escritor de terror, mas com tantos desafios de histórias, inclusive aqui no Social, fica difícil não tentar escrever algo de um gênero que nunca experimentou. Assistir terror é diferente de ler. O suspense está na pele, o medo está no sangue e a incerteza é só o nome da sua sombra.

Como é de uso comum de thrillers médicos/policiais (os famosos suspenses), escrever suspense não é escrever qualquer outro gênero, mas mexer com o leitor de forma palpável, arrepiando-o (seja pelo gore ou não), alterando sua respiração (leitores assíduos de terror sabem que é muito fácil se pegar com a respiração presa ou hiperventilando porque leu uma coisa que lhe tirou o fôlego), entre outras coisas. Todas essas mudanças são causadas pela maneira de contar a história, o que vai depender de um grupo de coisas que inclui o cenário, o tempo (época em que se passa a história), a parte emocional e sensitiva (percepção dos personagens sobre o que está acontecendo e as emoções apresentadas), do tipo de narrador, etc.

O suspense consiste em montar frases que criem a atmosfera de morte iminente (aquele típico “não vai por aí” que a gente diz sem perceber enquanto assiste a um filme de terror), medo do desconhecido, essas coisas.

Quando você lê terror você sente essas nuances, mas não é só ler. Leia e analise o que te fez gostar daquela história de terror, quais as palavras chaves que serviram para te causar arrepios, como o seu autor preferido de terror monta as frases. Vale anotar se quiser, marcar o livro, o que quiser. O importante é extrair da leitura não só o que acontece na história, mas a receita que usaram para escrevê-la.

3. Entenda que nem todos sentirão medo
Você pode ser o Stephen King, mas nem todos os seus leitores sentirão medo da sua história de terror. Isso porque nem todos têm medo das mesmas coisas porque podem já ter visto algo parecido – ou pior – antes, ou porque não “entraram” o suficiente na história para sentir medo. Essa última, com as dicas anteriores, dá para resolver, mas as duas primeiras provavelmente não. Em outras palavras, esteja preparado para aqueles leitores mais resistentes e tente de novo.

4. Provoque o “Boo”!
Use o suspense a seu favor e faça o leitor acreditar que vai acontecer uma coisa, crie o medo, a inquietação, deixe o leitor “saber” o que vai acontecer quando um personagem abrir a porta do porão, por exemplo (vale até fazer os sons estranhos virem de lá). Deixe isso realista. Mas jogue sujo e não coloque o monstro atrás da porta. Deixe o leitor achar que não tinha nada ou algo assim, daí, quando o personagem se virar, coloque o monstro lá.

Esse foi só um exemplo, mas a técnica é essa sempre. Faça o leitor pensar uma coisa e prove o contrário.

5. Pense nas coisas que te assustam ou te revoltam
Lógico que não usar todas elas, principalmente numa história só, mas pode anotar. Pense em como você reagiria a cada uma dessas situações. Vale até perguntar para os conhecidos do que eles sentem medo.

6. Encurrale seus personagens
Você não precisa passar a história toda com eles trancafiados dentro de uma casa, mas pode criar uma situação para eles – supostamente ou não – não terem saída, como entrarem num beco e o assassino estar vindo em sua direção...

7. Deixe os personagens tomarem suas próprias decisões
“Mas o que?”, vocês devem ter pensado. Acontece que, independente do gênero, você deve criar personagens convincentes, realistas para o contexto escolhido para a trama. Como ninguém é perfeito, faça com que seus personagens façam escolhas erradas, afinal eles não sabem direito o que está acontecendo e se sempre acertarem vai ser esquisito. Faça alguém correr para o lugar errado, se arriscar ao tentar contra atacar ou prender o assassino (aqui não é Scooby Doo) e essas coisas terem consequências, como uma perna a menos, um olho furado, um arranhão mínimo ou a morte do personagem em questão. Aqui, você pode usar os personagens descartáveis ou não.

*Lembrando que todo personagem que você insere na história deve ter uma vida (com gostos, desgostos, idade, personalidade, nome, etc), mesmo que não sejam dados detalhes ou relatadas todas essas coisas.

É importante também manter claras as consequências de cada escolha, no caso do personagem conhece-las. Por exemplo, se há uma cena em que Julia precisa decidir qual de seus amigos vai morrer, ela tem que usar de sangue frio (por mais que provavelmente não vá conseguir) e pesar os prós e os contras de se escolher um ou outro. Aqui é importante levar em conta o peso emocional (ou ausência disso) para cada personagem.

8. Termine. Só que não.
Uma boa pedida para o grand finale pode ser deixa-lo em aberto (não saber se o vilão morreu mesmo, se a maldição foi desfeita, etc.) ou fazer com que tudo possa voltar a acontecer num ciclo vicioso. Por exemplo, digamos que meu vilão seja um fantasma no espelho e minha história tenha começado com uma pessoa olhando para seu reflexo. Ela vai terminar com outra pessoa se olhando nesse mesmo espelho, dando a ideia de que pode acontecer de novo, mas sem começar a contar como se desenrola a trama com a próxima vítima (só dar a entender). Resumindo, é o mesmo que acontece com aqueles “pesadelos dentro de pesadelos”, nos quais você acha que acordou, mas continua sonhando.

Outro exemplo muito comum disso é aquela trama que rola de tudo um pouco e no final você descobre que foi um pesadelo. Aí você dá aquela respirada, diz um “ufa, foi um sonho”, daí a coisa começa a rolar na vida real.

O importante numa história de terror é não ter um final feliz. Quem já viu uma história de terror com final feliz não viu uma história de terror, simples assim. Esse tipo de trama é criada para colocar medo e não tem muito crédito se o leitor deixar de ter medo no final, pelo contrário: é mais divertido deixa-lo com insônia ou, no mínimo, paranoico.



Fontes de pesquisa:
Escrever uma história de terror


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Lendo: As cavernas de aço - Isaac Asimov <3

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