~tayfofanms

tayfofanms
Metralhadora de corações
Nome: Taynã Silva
Status: Usuário Veterano
Sexo: Feminino
Localização: São Paulo, São Paulo, Brasil
Aniversário: 26 de Setembro
Idade: 22
Cadastro:

Frases & Parágrafos - Confinamento


Postado

Frases & Parágrafos - Confinamento

Confesso que desde que criei o tema para o Concurso Artes Insanas IV eu sabia que não é fácil desenvolvê-lo, mas só agora eu realmente decidi fazer um jornal pra tentar ajudar os participantes nessa tarefa.

Primeiro, preciso que entendam que há dois tipos básicos de confinamento. O primeiro é por vontade própria, que pode envolver cenas em que o personagem se tranca por medo da sociedade (típico do transtorno de ansiedade social ou outros distúrbios semelhantes), algo que o faça, por decisão própria, se afastar do mundo externo, se isolar no seu próprio mundo (em casos mais graves, de um cômodo só, pois tem “facilidade de controlar” todo o espaço).

O segundo - óbvio - é contra a vontade de quem está sendo confinado. Isso se encaixa, por exemplo, em instituições psiquiátricas (como manicômios), presídios (nesse caso, quando o encarcerado não tem muito contato com outras pessoas e/ou sofre algum tipo de opressão externa), calabouço, uma casa, um cômodo específico (que é o tema do CAI IV), e por aí vai.

O que vamos tratar nesse jornal é voltado para o segundo tipo de confinamento. Comecemos então com uma pergunta chave: o que você faria na situação proposta pelo concurso? Lembrando que ela é:

“Um ou mais personagens estão presos numa sala pequena e quente, cuja única lâmpada arrisca queimar com tantas baixas de energia. Há apenas uma janela, por onde não dá para passar uma pessoa e o duto de ar não resolve o problema, já que também é pequeno para uma pessoa adulta. O lugar parece ser subterrâneo, quem está preso consegue ouvir o som abafado de veículos passando ao longe e às vezes as paredes estremecem. Há apenas uma porta, mas quando quem está dentro consegue abrir, descobre que ela é falsa e dá apenas para a parede. Quem está dentro precisa sair porque há uma ameaça maior do que ficar ali e morrer. É preciso cumprir um prazo - do contrário, algo ruim acontece. Como escapar? O que há do lado de fora?”

O óbvio é que, provavelmente, iriam pedir ajuda. Gritar, pedir para abrirem a porta (já que inicialmente não se sabe que ela é falsa), procurar um meio de sair, etc e tal. Mas e quando essas coisas falham e você descobre que não há saída? E se você descobre que é quase impossível haver sequer uma entrada, uma explicação para você, com toda sua massa corporal, estar naquele lugar. Alguns pensariam que estão loucos, que estão mortos, que a parede atrás da porta fora feita depois de terem entrado. E talvez seja verdade, mas ainda não temos como provar, o que nos leva adiante.

Todos, sem exceção e mesmo que por um breve instante, tendem a culpar alguém ou alguma coisa por estarem naquela situação. Por quê? Pensem: quem está nessa situação, mesmo que tenha certa culpa no cartório, ainda se vê, ainda que em parte, como uma vítima daquela situação. Se é uma vítima, não tem culpa, certo?

Aí é que está! Independente do motivo e de como se chega numa situação assim, o personagem apresenta - mesmo que por um milésimo de segundo - algum comportamento de raiva. Pode ser culpar a plenos pulmões o agressor que ele não sabe quem é ou pode ser mentalmente. O importante é saber que, se esse personagem não deixa de lado essa raiva, mas a alimenta, ele pode ter um surto. Caso ele apresente esse comportamento de forma passageira, pode ainda desenvolver uma crise de pânico, depois - o que não quer dizer que todos vão apresentar esse comportamento.

Calma, respire.. É muita informação, eu sei.

Imaginem assim: se a raiva passa, dá lugar à outra coisa. Essa coisa pode ser desistir de tentar, decidir esperar e ver no que dá, tentar sair de novo (mesmo que não de forma racional, o que pode demonstrar desespero, por exemplo), entre outras reações. O medo, claro, está presente o tempo todo nesse tipo de situação, mas pode vir a crescer repentinamente. Lembrem-se de que isso pode vir ou não a acontecer, mas quando acontece, se assemelha à uma crise de pânico.

Quem já presenciou algum surto de pânico, seja de alguém com síndrome do pânico ou não, sabe que duas coisas diferentes são muito fáceis de notar. O primeiro é o desespero, ilustrado por tremores, olhos que não param num ponto fixo, fala rápida que pode variar de volume, inquietação em todo o corpo, falta de ar, dormência nos membros, tontura, desmaio e dor de cabeça (nem todos os sintomas são, necessariamente, apresentados). Um “sintoma” mais evidente ainda, além do medo absurdo - aqui, com um motivo -, é a vontade de fazer alguma coisa, como tentar, mesmo que de forma obviamente falha, sair dessa situação (o que pode ser evidenciado por quebrar o vidro da tal janelinha sem que possa realmente sair por ela).

O segundo, é a conformação, ilustrada também pela fala diferenciada e tremores, mas de olhar fixo, que pode ser num ponto específico (como o lugar que o confinado pode achar que venham punições - seja o próprio agressor; tarefas que precise realizar ou o meio de comunicação que eles possam ter, como um alto falante, por exemplo) ou um “ponto sem foco”, quando se olha literalmente para o nada. Com a conformação, o sujeito não tem reação senão esperar pelo seu fim. É como saber que vai levar um tiro e esperar por ele.

Já a crise de raiva, voltando agora ao foco, podem ser causados pelas limitações. Em outras palavras, não é só porque o personagem está nessa situação que vai desenvolver uma crise de raiva (e com crise quero dizer brigar sozinho ou com os possíveis personagens presentes com ele, o que pode resultar em graves ferimentos, exclusão social, a morte de um ou mais deles, etc. e tal), o confinado precisa ter mais limitações.

“Mas Tay, fulano já está preso, o que mais pode ser limitador?”

O que vocês fariam sem celular? Sem computador, sem ter alguém pra conversar, sem saber o que está acontecendo ou pelo menos o motivo de alguém te colocar numa situação na qual você não tem controle ou direitos, sem saber se é um sonho ou loucura? Não ter acesso a nenhum tipo de informação é perigoso para a saúde mental e tendo essas limitações o sujeito pode, sim, ter uma crise de raiva. Outros fatores, como ficar dias no mesmo lugar - que obviamente vai sujar com o tempo -, não ter acesso à luz do dia, ar puro, comida, condições dignas de se, no mínimo, cumprir suas necessidades fisiológicas como defecar, podem e serão agravantes.

ATENÇÃO: Não estou dizendo que seu personagem, na fanfic do concurso, precisa passar por esse tipo de limitação, aí é decisão sua. Mas se ele fica no mesmo lugar por muito tempo, você precisa lembrar que ele precisa comer, beber água, dormir, urinar e defecar. Todo ser vivo precisa disso.

Outro fator, que não é exatamente limitador, mas que contribui para a crise de raiva e também para a crise de pânico, é o possível terror psicológico. Se você decide que, na sua história, terá esse tipo de terror provocado pelo agressor, por exemplo, você precisa explorar os medos e ambições do seu personagem confinado e ameaças, aqui, são uma boa pedida.

ATENÇÃO: Lembre-se de desconstruir apologias, caso decidam usá-las, já que o Social as proíbe.

Continuando e colocando isso em palavras mais simples, todos esses fatores combinados podem vir a provocar a morte do personagem, seja intencionalmente (suicídio) ou como consequência de seus atos.


Como exemplo para ilustrar toda essa explicação, há um dorama chamado Dr. Frost. No capítulo três, dois homens são punidos ao serem presos por dois dias num galpão sem nenhum tipo de conforto (como comida ou luz do dia) e sem respostas. Num surto de pânico de um deles, o outro sente uma raiva absurda e culpam um ao outro enquanto brigam. A discussão evolui e um deles morre de tanto apanhar do outro.


E aí? Já parou pra pensar em que tipos de reações você apresentaria?


DÚVIDAS OU SUGESTÕES?
Mensagem privada | [email protected] | Ask.fm
OBS.: Não avalio fanfics, isso é trabalho dos betas e eu não tenho tanto conhecimento pra isso.

Lendo: Nosferatu - Joe Hill
Assistindo: D-Day (dorama) <3

Gostou da Jornal? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...