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Metralhadora de corações
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Frases & Parágrafos - Cronologia


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Frases & Parágrafos - Cronologia

Eu sei que ando demorando muito para atualizar os jornais reservas e postar novos jornais com dicas, mas entendam que fim de semestre na faculdade é coisa de louco.

Mas enfim... Vamos falar sobre números?

Ok, ok. Acho que devem estar se perguntando o motivo de eu estar falando sobre números num jornal sobre escrita, mas já pararam para pensar que toda história tem uma linha do tempo e que todo personagem tem uma data de nascimento?

Há tempos que quero discutir um pouco sobre cronologia. Fiz algumas pesquisas pra isso depois que descobri a importância dela (até uns meses atrás eu não fazia os cálculos e só passei a fazer quando notei ser esse o meu maior obstáculo quando chegava ao ápice da história) - e confesso que não encontrei muitos resultados - e mais pesquisas ainda quando decidi escrever um jornal sobre isso.

Um erro muito comum que eu cometia e que ainda vejo muito por aí é a falha na coerência de acontecimentos na história.

Vou usar como exemplo uma long-fic minha, já que, na maioria das vezes (não todas), contém as maiores linhas do tempo. Imagine uma história de ficção científica, que retrata o espaço e todo o mais. Um dos cientistas da NASA é o líder de uma equipe que avança na tecnologia a cada dia, ao mesmo passo que algumas pesquisas e projetos são feitos “por baixo do tapete”. Só que ele morre “acidentalmente” e o filho, que já trabalhava com ele em algumas pesquisas, assume seu lugar como líder na equipe. Depois de alguns anos, o filho descobre que o pai não morreu por um ataque cardíaco, mas por envenenamento (Breeeeeeeeeve resumo de Filhos do Sol/Dossiê americano).

Pense no que esse filho já poderia ter feito em alguns anos, quais foram os avanços feitos, quando exatamente o pai dele teve um “desentendimento” com seus superiores ou quando exatamente ele recebia telefonemas ameaçando-o sobre projetos em andamento. Imagine que todas essas coisas, acontecidas por volta de seis anos antes da época atual da história, devem estar perfeitamente interligadas ao tempo atual de forma coerente. O que o filho estaria fazendo naquele dia, enquanto o pai morria? Quando exatamente e quem exatamente teria exercido a função de mata-lo e quem teria mandado? Como será que esses culpados estariam nos tempos atuais? Se são próximos do filho, o que exatamente eles fizeram esse tempo todo, como esconderam e quais as consequências disso?

Aqui, de novo, devo lembra-los que escrever não é fácil e que escrever histórias de ficção se resume em dias perdidos em elaboração de enredos, já que as histórias, assim como nossas próprias vidas, têm altos e baixos e sempre estão em movimento, embora pensemos que não estão.

Para ilustrar melhor, pense no tempo como uma linha infinita para ambos os lados. Num trecho dessa linha, ao ampliá-la, notamos que há muitas e muitas outras seguindo lado a lado. Algumas se encontram, outras não. Algumas param no meio do caminho.

Agora imagine a vida do filho do cientista expressa em uma dessas linhas. Imagine a sua própria vida numa dessas linhas! Nada acontece ao mesmo tempo e um erro muito comum (que até eu confesso que cometi esses dias) é falar sobre um acontecimento do passado sem que o personagem em questão tivesse nascido. Gente, fiquei descrente e me senti inútil quando vi isso em um dos meus resumos. Se na história, em 2015 o personagem tem 26 anos, como ele pode ser um cientista renomado em 1985, se só nasce em 1988?

Sim, usei como exemplo meu próprio erro porque não achei exemplo melhor que esse, mas para você que não está entendendo nada, deixe-me explicar de outra forma.


Acontece que as coisas não são tão simples e, para explicar as variadas formas de se organizar a cronologia de uma história que, tanto no caso de fanfics quanto de livros, variam bastante, decidi dividir essa dica em duas.

Sendo essa a primeira parte, vamos começar pelo começo. Quem aqui já leu uma história (fanfic ou livro) que usava datas para especificar a passagem de tempo e demarcar o lugar? Quem já leu aquela história que era contada do fim para o começo ou do meio para o fim e depois voltava para o início? Parece complicado, certo? Que tal se pensarmos nas formas de passagem de tempo? O ritmo do relógio, o movimento do sol, o calendário, as estações do ano, eras, períodos, e mais uma infinidade de formas que podem ser usadas para “medir” o tempo tanto na realidade como na ficção que você está escrevendo.

Portanto, uma história pode usar o sistema de datas, especificando até mesmo horários e lugares onde se passa a cena. Pode o prólogo ser o fim e o epílogo ser o início (como assim?) e você pode inverter o tempo, fazer ele passar de forma decrescente. Pode pular anos, milênios, pode resumir ou simplesmente procrastinar em um dia só. Esse é um dos poderes do escritor.

Entendidas as formas de perceber a passagem de tempo, hora de organizar sua história. Lembre-se que, para calcular a cronologia, é preciso ter um resumo pronto da história inteira, de preferência discriminando o que acontece em cada capítulo. Uma vez que tem o resumo, hora de separar o que precisa ser revelado e o que precisa ser guardado para depois. O que tiver que ser revelado logo (óbvio), será contado naquela cena que você está narrando. O que precisar ser guardado, será revelado apenas no ápice da história ou um pouco antes disso, quando as coisas começam realmente a “acontecer” no enredo.

Confuso? Pense nisso como “Início - Meio - Fim”. Se você quiser, pode colocar uma das cenas do fim da história no prólogo. Se for uma batalha (independente da natureza), o leitor vai querer saber como que a história chega àquele ponto. Mas você não quer revelar quem morre e quem vence a batalha. Não quer que saibam, já no prólogo, o que acontece no final, quem é o mocinho e quem é o verdadeiro vilão. Você quer que as pessoas leiam e, pra isso, tem que deixar o gostinho de quero mais. Portanto, esses pontos que não serão revelados no prólogo serão revelados apenas no ápice da história, já no final, quando a cena da batalha for narrada na íntegra (e aí sim os leitores tomarão consciência da magnitude do caos). Deu para entender essa parte?

“Ok. Eu tenho o plot (enredo), o resumo de cada capítulo e entendi como funciona a discriminação do que deve ser revelado e o que precisa esperar. E agora?”

Agora, meu caro, nós começamos a organizar a cronologia. Isso pode ser feito de três formas (devem haver outras, mas não me sinto preparada para explica-las):

1. Tabela: muito comum em documentos que reúnem a cronologia de uma obra completa, a tabela é a forma mais simples de reunir muitas informações. O importante é seguir sempre a ordem das datas (por isso ordem cronológica), mesmo que os acontecimentos não apareçam em ordem num mesmo capítulo. Você pode fazer tudo em apenas três colunas: a) Data e local; b) Acontecimento; c) Capítulo em que é narrado esse acontecimento ou comentado sobre.

2. Linha do tempo: usando pouco texto, desenha-se uma linha contínua, onde os acontecimentos são colocados em ordem cronológica ao decorrer dela. Não é recomendada quando se quer colocar no mesmo documento muitas informações, já que ocupa muito espaço e, pra quem não está acostumado, pode fazer com que confunda informações.

3. Lista: Eu, particularmente, gosto mais dessa opção, já que gosto de escrever bastante. Uma vez que tenho o resumo de cada capítulo num mesmo documento, só vou colocando tudo na ordem cronológica. Os cálculos são feitos normalmente como nas outras formas de organização e, por não ter desenhos, facilita um pouco.


Como calcular?

Primeiro, pegue uma calculadora, um papel e uma caneta ou use a cabeça mesmo, se for bom com números. Comece com a data de nascimento dos personagens. Para isso, você precisa ter em mente quanto tempo, mais ou menos, demora para sua história acabar (se ela “acontece” durante as férias de verão, durante milênios, anos ou apenas uma semana). Pense em quantos anos esse personagem precisa ter ao longo da história e com quantos anos, mais ou menos ele vai morrer (sim, você precisa pensar nisso mesmo quando o personagem não morre na história - isso serve para ter uma ideia de tempo de vida). Calculadas as datas de nascimento de todos os personagens e o tempo aproximado que eles vão viver, compare-as com as idades dos outros personagens (faça isso com todos). Se estiver tudo “batendo” certinho com as idades que você quer, hora de partir para o cenário.

O cenário exige um pouco de pesquisa, nada muito rebuscado, visto que aqui você já deve ter um resumo pronto da história que quer escrever. Já sabe a época e os lugares em que a trama se passa, fictícios ou não. Hora de comparar as datas de nascimento com o período escolhido para ambientar a história. Você não pode escrever uma fanfic onde o personagem nasce em 4.039 e ambientar a história na Idade Média - a menos que ele tenha uma máquina do tempo ou um grande motivo para fazer parte dessa época.

Feitos os cálculos e tendo batido certinho, hora de pensar na primeira cena da história, independente de que capítulo ela esteja presente. Aqui a coisa é mais simples, apenas leve em conta as datas e o que cada personagem precisa saber/fazer - e o que os leitores podem ou não saber. Isso segue até o final e, quando todas as datas baterem, pode escrever sua fanfic sem medo, independentemente da ordem que decida usar para narrar os fatos. Uma vez calculados, você pode embaralhar.

É complicado? É. É cansativo? É. Mas nada melhor do que fazer as coisas do jeito certo e evitar uma das inúmeras coisas que podem fazer um escritor parar de escrever. Lembrem-se: planejamento e organização são as chaves.


Como separar o que eu posso revelar do que eu não posso revelar?

Pra isso eu uso um truque simples: cores. Sabe aquelas legendas comuns em mapas e outras figuras didáticas? Faça uma pequena legenda no documento em que está fazendo os cálculos ou no próprio resumo, discriminando o que cada cor significa - isso vale principalmente para o que é feito direto no computador, embora também valha para o que é manuscrito, mas falaremos disso na parte dois. Eu, por exemplo, costumo separar o que eu já escrevi, o que eu revelei e o que eu não revelei, o que eu preciso rever depois, etc. Tudo isso com uma cor diferente. Vale separar por negrito, itálico, sublinhado e taxado, se quiser. É tudo uma questão de gosto.

Escutando: Gasoline - Halsey
Lendo: Sob a redoma - Stephen King

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