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Metralhadora de corações
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Frases & Parágrafos - Exercício para descrição


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Frases & Parágrafos - Exercício para descrição

Nota: Você leu certo. É "exercício para descrição" porque você não vai descrever durante o exercício, mas usá-lo para descrever depois.


Vamos ser sinceros: quem nunca teve dificuldade de descrever uma cena que parecesse real? Soar artificial costuma ser um dos medos dos escritores, sejam amadores ou profissionais e por isso decidi debater um pouco o tema e apresentar um exercício que parece simples na teoria, mas que na prática, dependendo de onde e com que intensidade fizer, pode ser puxado.

Não sei se mais alguém faz isso além de mim, mas comigo costuma funcionar e faço isso sempre que acho que o que eu estou escrevendo não parece realista, por mais absurda que seja a cena. Isso nos leva à um ponto em particular: o que é ser realista?

A realidade de uma história não está em ela ser ambientada no ambiente cotidiano com o qual estamos acostumados, mas em fazer mesmo um enredo de fantasia parecer plausível. Tudo bem, vai. Isso é difícil mesmo, mas o realismo está nos detalhes e, embora não seja construído apenas com esse exercício, é nossa percepção de mundo e nossa lógica que vão fazer escrevermos de maneira realista. Em outras palavras, o realismo é construído ao se fazer duas perguntas:

1. Por que você acha que o ambiente à sua volta é real?
2. Onde se aplica a lógica no ambiente que você criou para o enredo?
(Lembrando que por “ambiente”, entende-se o universo que você criou para sua história, o mundo no qual seus personagens estão e como ele funciona)

Essa coisa de lógica é assunto para outro jornal, mas pra soprar clareza em vocês, vejam a lógica como algo que possa acontecer na história e isso se faz dando sentido, como dar um motivo plausível para chover canivete. Lembrando que a lógica não necessariamente vem do nosso universo, mas do que você cria para sua história. Se no seu enredo chover canivete é normal, ok. Mas explique por que isso acontece na história.

Outra coisa: esqueçam a lógica. Esse exercício visa apenas percepção, então não vão precisar dela. Aqui, a coisa vai funcionar como uma... pesquisa de campo. Você vai num lugar que tem bastante gente. Vale um restaurante; shopping; cinema (que é mais útil pra você observar expressões corporais das outras pessoas enquanto elas reagem à um filme, mas muito distrativo porque é fácil prestar atenção no filme, então não recomendo; praça/parque, etc. e tal. Você escolhe.

É da escolha do lugar que pode vir a dificuldade. Isso por que, se você for daqueles que não conseguem escrever pouco (eu), vai querer anotar tudo, mas se é daqueles que consegue separar as informações na cabeça, vai em frente e escolha o que quiser independente do volume de estímulos (coisas acontecendo nesse lugar) presentes.

Ah! Não esqueça de levar algo para anotar. Vale papel e caneta ou o celular mesmo, o que achar melhor. Sente em algum lugar confortável, não use fones, não vá acompanhado e preste atenção no que acontece à sua volta. É aqui que você vai começar a se indignar com as coisas que verá os outros fazendo e/ou vai rir pelo mesmo motivo.

O que fazer? Nada. O exercício consiste em perceber coisas que fazem daquele lugar um lugar “real”. É quase como se você estivesse tentando ambientar bem sua história, então preste atenção nos sons do ambiente, nas conversas que você consegue ouvir, até por quê, às vezes é útil descrever situações em que um personagem está esperando outro e começa a prestar atenção nas conversas alheias. Não acredita?

Imagina uma cena que, sei lá, Suho está esperando Chen sentado numa das mesas do refeitório de um shopping. Só que o Chen tá atrasado e o Suho tá impaciente e começa a prestar atenção nas conversas alheias porque precisa de todo jeito esperar o amigo. Daí, conversa vai, conversa vem, ele percebe que uma das pessoas que conversa perto dele começa a falar alarmada de algum tipo de acidente, citando um lugar específico. E se esse lugar específico for no caminho de Chen para o shopping? Suho vai ou não começar a pensar que aconteceu alguma coisa? E se essa for a ideia: alarmar o leitor?

Entendem agora a utilidade disso?

Continuando, anote o que achar necessário lembrar depois, inclusive como você se sente naquele lugar. Isso vai desde os sons até os cheiros. Situações que aconteceram e que te chamaram a atenção, tipos de pessoas que passam nesse lugar, essas coisas. Meia hora é mais do que suficiente e, quando acabar, terá um novo repertório para ajudar a tornar suas cenas mais realistas: aplicando o que observou na sua história.

“Ah Tay, mas minha história é de fantasia, como vou achar exemplos reais?”

Sua história tem sons, cheiros, formas, sabores e tatos diferenciados. Tem sentimentos. Tem percepções que são suas, querendo ou não. Use seu olhar de escritor e imagine as coisas que podem acontecer no ambiente que você escolheu e, dependendo do que for, imagine também como as pessoas reagiriam à isso. Preste atenção nos trejeitos dos outros e nos seus próprios sempre que puder para aplicá-los aos seus personagens, lembrando-se sempre de não fazer piadas, rir dos outros, usar apelidos ou coisas do tipo. Olhar o tempo todo também não é legal. Imagina você lá comendo seu lanche do McDonald’s e um fulano senta na mesa ao lado e fica olhando pra você e anotando. Não é legal, é invasivo. Então tomem cuidado para não serem percebidos. A ideia é se manter invisível, um mero fantasma observando a vida de um lugar - ou a morte, se você vir a escolher um cemitério...

Enfim, é isso. Espero que tenham gostado e entendido.
Se tiverem dúvidas, me gritem. Eu não mordo.


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Escutando: Playlist Nickelback <3

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