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Frases & Parágrafos - Tipos de conhecimento


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Frases & Parágrafos - Tipos de conhecimento

O título pode não chamar muito a atenção para este tópico, mas quando se pensa em Sci-Fi (Ficção científica) ou mesmo gêneros como Ficção e fantasia e/ou Misticismo, logo vem à cabeça profecias, lendas, a tecnologia avançada, muitas vezes até o futuro.

Muito comum em histórias de enredos distópicos, os tipos de conhecimento humano ou inumano são muito importantes para determinar que tipos de personagens são representados na história, o cenário em que se passa e coisas do gênero. Ou seja: muito importante para caracterizar seu enredo.

Boa parte dos escritores de fanfics deixam isso de lado, mesmo em gêneros mais comuns como Romance, mas não deixam de ser importantes. Num Romance policial, por exemplo, é importante lembrar sempre o que se encaixa em senso comum e o que é fato comprovado, o que é o que chamamos de ciência.

Antes de começar realmente a falar sobre isso, quero dar uma introdução de quais são alguns dos tipos de conhecimento, os mais comuns em histórias de ficção.

1. Senso Comum/Conhecimento Empírico: Representa o conhecimento passado de geração para geração através da cultura ou de experiências pessoais (algumas vezes de forma hipócrita e errônea) sem dar-se ao trabalho de ser comprovado ou, no mínimo estudado. Baseia-se na visão de mundo do indivíduo (seu próprio entendimento de acordo com as suas experiências e crenças), como o chá de boldo ser bom para o fígado sem, necessariamente, saber o motivo; ao mesmo tempo que atravessar a rua sem calcular o tempo e a distância quando um carro se aproxima também é um exemplo.

É o tipo de conhecimento que se acumula com o tempo. Ninguém aprende todos os dias como ir até o supermercado, como se sobe ou desce escadas.

Por não ser um conhecimento que precisa ser comprovado, tomamos o chá de boldo sabendo que haverá uma melhora, o que muitas vezes torna as coisas mais hipócritas e suposições podem vir à tona, pois algumas vezes costuma ser aceito sem uma comprovação lógica sem questionamentos. Nem sempre se trata de uma realidade concreta – como as fofocas – ou de crenças populares – como “o gato tem 7 vidas”, “pé de coelho dá sorte”, “gato preto dá azar”.


2. Arte: Da mesma forma que os homens da caverna deixaram suas marcas e sua sensibilidade em forma de desenhos nas paredes das cavernas, a arte que produzimos também é um tipo de conhecimento.

Personagens e/ou enredos que envolvem alguma forma de arte, como música, pintura/escultura ou até mesmo o bom e velho texto, representado, muitas vezes, através de um personagem escritor. Usar essas características como forma de caracterizar a história são é ruim e chega a ser necessário em algumas situações. Mas como fazer isso se não se tem conhecimento sobre arte? Escrever sobre coisas que não se conhece pode dar menos trabalho, mas não será muito eficiente.

Só conhecendo o assunto que saberá como controlar seus personagens e exatamente por que algumas coisas acontecem, ou as sensações que se pode ter num palco, por exemplo.


3. Conhecimento inato: Já parou para pensar que ninguém te ensinou como e por que chorar? Ok, isso pode soar engraçado, mas vamos concordar que essas coisas não são aprendidas. Andar, falar, tudo isso é conhecimento adquirido, mas mover-se, balbuciar, sugar, engolir... Nada disso é.

São chamados de conhecimentos inatos aquilo que apresentamos logo após o nascimento. A fala e o andar são coisas que aprendemos e aperfeiçoamos aos poucos, então nada de fazer crianças falarem rebuscadamente sem um motivo claro.


4. Técnica: Imagine um homem das cavernas. Ao “inventar” o fogo, o homem entende o outro fogo, aquele que é igual ao seu. O do raio, das florestas, dos vulcões. Com o fogo dominado, ainda não nasceu a ciência, mas a técnica.

Entenda que fazer nem sempre é entender realmente. Eu posso ver a chuva e não entender de onde ela vem, como se forma. Daí nascem as suposições, que podem dar lugar ao senso comum e ao mito/religião.


5. Religião/Mito: “O mito é uma narrativa que pretende explicar, por meio de forças de seres considerados superiores aos humanos, a origem, seja da realidade completa como o cosmos, seja de partes dessa realidade; [que] pretende explicar efeitos provocados pela interferência desses seres ou forças”.

("Para compreender a ciência: uma perspectiva histórica" – Andery, M. A. et al)



O mito é interessante porque é nele que se enquadram todas as religiões, sejam quais forem, reais ou fictícias. É aqui que estão as religiões antigas e atuais, e também as que você mesmo pode criar.

Ao envolver o mito em uma história, é importante ter em mente as crenças dessa narrativa e levar isso até o final da narrativa, mesmo que ela seja desconstruída antes. Se for um mito criado somente para aquela história, é necessário descrevê-lo, discriminar o que é aceito e o que é vetado, o que é explicado (e como) e o que não é. Lembrar-se sobre as regras de apologia também é importante.

A religião é a formulação de pensamentos sobre a origem do homem, seus mistérios, princípios morais. Livros sagrados como a Bíblia (no ocidente) e O livro dos Vedas (“Veda”, em sânscrito – antiga língua clássica da índia –, significa “conhecimento”), o livro sagrado dos hindus; apresentam estes pensamentos.


6. Filosofia: É semelhante ao mito, porém não usa seres superiores aos humanos para montar sua narrativa. Surge da relação do homem com seu dia-a-dia e é sujeito a mudanças. Considera seus estudos de forma reflexiva e crítica, sendo racional, mas sem preocupações com sua comprovação.


7. Ciência: Por último, mas não menos importante – também o tipo de conhecimento que talvez mais seja difícil de incorporar a uma história –, é a Ciência, que aborda não só a tecnologia –, pois é um subproduto desta –, mas todo tipo de conhecimento que seja comprovado através de pesquisas e testes sistemáticos e discriminando o senso comum, muitas vezes também qualquer outro tipo de crença que não seja comprovada (como naquelas ficções científicas onde o doutor não aceita a ideia de religião e só acredita no que vê e comprova).

Aqui podemos difundir em duas opiniões distintas sobre a ciência: aqueles que defendem que ela é uma fonte de benefício para a humanidade; e aqueles a percebem como uma força de opressão, fonte de destruição da natureza e do próprio homem. Entende agora de onde saem muitas histórias de Sci-Fi?

Aproveitando que essas questões foram abordadas, lembro que é preciso ter em mente os dois lados da moeda: o bom e o ruim.

O bom pode ser formado pelos benefícios, as coisas boas que a ciência pode trazer a humanidade, como cura de doenças, conquistas no espaço e afins. Ao mesmo tempo, o ruim é caracterizado pelas coisas que dão errado, como experiências mal sucedidas, acidentes e supostos benefícios que ainda assim deixam danos, como o lixo tóxico, por exemplo.

Também é importante lembrar que avanços tecnológicos devem ter um fim lógico, uma forma de justificar porque aquelas coisas existem na história. Fazer pesquisas sobre invenções e avanços na tecnologia pode ser uma boa pedida para quem escreve Ficção Científica.


Entendidos os principais domínios de conhecimento humano, entende-se também que estes podem ser usados em todo tipo de histórias e agregados a todo tipo de personagens. Sejam humanos ou não, todos possuem algum tipo de conhecimento e entender como estes funcionam não é perda de tempo.

O que são os personagens? Por mais que possamos variar planetas, realidades, raças e tempos, no fundo são apenas “homens” fazendo alguma coisa.

“Nossa matéria-prima, portanto, é o homem em todas as suas expressões, as visíveis (nosso comportamento) e as invisíveis (nossos sentimentos), as singulares (porque somos o que somos) e as genéricas (porque somos todos assim) – é o homem-corpo, homem-pensamento, homem-afeto, homem-ação e tudo isso está sintetizado no termo ‘subjetividade’”.

(“Psicologias” – Ana Bock, capítulo 1)



Jornal longo, eu sei. Mas entender esses pontos é realmente útil quando se escreve ficção. Espero que tenham gostado da dica. Até a próxima!



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#PorFanficsComSentido

Escutando: Selena Gomez - Good for you
Assistindo: 5ª Temporada de Doctor Who

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