~_Kimmy_

_Kimmy_
Nome: 김타미- Tammy Kim
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Aniversário: 25 de Novembro
Idade: 20
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Eu não beijei você. A tequila beijou.


Postado

Eu não beijei você. A tequila beijou.

Parei o carro de frente pra uma casinha simples com cercado branco e um extenso gramado. A chuva caia pesada sob o vidro, e meu para-brisa mexia freneticamente num efeito alucinante. A rua estava deserta e quieta, o poste de luz à frente acendia e apagava, como um vaga-lume piscando.
— Cara. O quanto eu bebi? — indagou Lila com as mãos apoiadas na cabeça;
— Me chame de burro, mas depois de certo número minha capacidade de contar foi derrotada. — respondi, soltando meu cinto de segurança;
— Você é um anjo, sabia?
Sorri a fitando - seus cabelos castanhos um pouco molhados e desgrenhados a maquiagem que valorizava seus belos olhos verdes, levemente borrada - Lila era uma mulher linda, tinha que admitir. Era a melhor amiga de minha irmã mais nova, cresceu junto com ela, estudou junto com ela, e eu nunca tinha reparado no quanto ela era divertida e encantadora.
Inclinou-se sobre o meu banco olhando nos meus olhos, e agarrou meu cabelo na nuca com as mãos um pouco trêmulas. Segurei seu queixo com a mão e a beijei devagar, mas logo a afastei suavemente, sem querer dar a impressão de estar rejeitando-a ou sei lá. Mulher é sensível, mulher bêbada é dez vezes pior. Deixei meu dedo indicador sobre nossas bocas, separando-as.
— Eu sou. Não tá vendo minhas asas? — indaguei sorrindo.
Senti sua mão subindo pelo meu joelho, coxa também, pelo lugar de onde vem depois da coxa… O caminho todo até as costas, e senti indo pra debaixo de meu casaco e minha camiseta.
— Não achei suas asas. Mas não sei se procurei com muita vontade. — sussurrou provocante.
Arranhou minhas costas me fazendo ofegar, com a outra mão pegou meu pulso. Deixei que fizesse o que quisesse. Levou minha mão até seu rosto, e mordeu meu indicador de leve. Eu sorri.
— Se eu fosse você, fugiria. — disse.
— Mas você não é… — retrucou com as sobrancelhas levemente arqueadas.
— Dez segundos de vantagem.
— Isso é uma insinuação de que eu tenho alguma deficiência ou?
— Eu poderia abusar de você nesse estado — a interrompi, mudando de assunto e franzindo a testa. Não conhecia Lila muito bem, mas conhecia o bastante para saber que se ela estivesse em seu estado normal, não estaria fazendo coisas como aquela.
— Então abuse — falou com o tom de voz de “você não é capaz”.
— Você bebeu… E tá fazendo coisas que não faria se estivesse sóbria.
— Obrigado pela análise, senhor psicólogo. — se deixou cair pesadamente em seu banco se afastando de mim, e encarando a janela ao seu lado — Mas... Não dizem que o álcool só te leva a fazer o que você não tinha coragem quando estava sóbrio? Então. É meu caso.
Se virou pra mim olhando nos meus olhos, com um olhar determinado.
— Sempre fui louca por você. — proferiu;
Fiquei extasiado, não sabia o que dizer, nem tão pouco sabia se aquilo tudo era realmente verdade, ou se era só mais um efeito da bebedeira. Como num instinto repentino, se jogou na minha direção, me puxando pelo braço, não pude resistir, não queria. Nossos lábios se encontraram e sua língua quente veio invadindo minha boca, sua mão se moveu para a minha nuca, agarrando as raízes do meu cabelo com o seu punho, a outra mão agarrou o meu ombro com força, me balançando, e me trazendo para si. O desejo tomava conta de mim, podia sentir sua respiração rápida e ofegante pela forma intensa que nos beijávamos, a puxei para cola-la ao meu corpo. Mas eu precisava parar, precisava... antes que fosse tarde demais... A afastei relutante.
— Você não acha — eu disse ofegante — que talvez seja hora de entrar?
— Boa ideia… — ela sussurrou com a boca colada na minha. — Vem comigo. Minha cama é grande. O sofá nem tanto, mas a gente pode ficar agarrados e aí…
Eu ri a interrompendo, sim eu queria dizer sim.
— Não… — falei — Você entra, e depois eu vou pra casa… Sabe. A minha. Sozinho. E você fica aqui. Na sua. Sozinha.
— Ou… A gente pode ficar aqui no carro e aproveitar o seu banco de trás. Adoro banco de couro.
Mordeu os lábios, e perdi o olhar ali por alguns segundos, mas logo me recompus, e fiquei sério.
— Ok — ela disse quando viu minha expressão, levantando as mãos como que se rendesse. — Mas eu vou precisar de ajuda.
Suspirei profundamente. Desci do carro com a chuva gélida me molhando por inteiro, e corri até a porta dela, abrindo-a em seguida. Estendi a mão e Lila a pegou. Corremos em direção a casa e ela entrelaçou os dedos nos meus, apertando nossas mãos. Gay, pensei… Mas não tão ruim. Ela tropeçou algumas vezes, nos próprios pés, e ria alto de si mesma, o som ecoando pela rua vazia. Soltei sua mão quando chegamos à entrada e me virei de frente pra ela.
— Chave? — perguntei.
— No meu bolso de trás — ela respondeu, com um sorrisinho sedutor.
E lá vamos nós…
— Então me dá — estendi a mão.
— Vem pegar. — retrucou atrevida.
Tive a leve, levíssima impressão que ela não se referia apenas a chave.
Ok, sei jogar esse joguinho. Puxei-a pela cintura até que o corpo dela ficasse colado ao meu, fazendo-a sentir a ereção em meu ventre. Não desgrudei meus olhos dos dela, e infelizmente não pude evitar que eles transmitissem todo o desejo que sentia. Desci minha mão, até chegar no bolso de trás e enfiei a mão nele, pegando as chaves em seguida. Confesso que deixei a mão lá um pouco mais do que o necessário. Sorri. Ela sorriu de volta como se dissesse “perdi a batalha, mas não a guerra”. Andei até a porta e enquanto tentava abrir, um pouco atrapalhado com as chaves, senti uma mão subindo pelas minhas costas, por baixo do casaco e da camiseta… De novo.
— Você não cansa? — indaguei um pouco ofegante, sendo traído pela minha excitação.
— De você? Eu não. — sussurrou aos pés de meu ouvido, me arrepiei, e quase tive um espasmo quando ela mordeu com delicadeza meu lóbulo. Ri para dissipar o nervosismo. — Sério… — continuou enquanto descia a mão pra minha bunda. — Se eu fosse, sei lá, Prefeita? Eu ia decretar uma lei onde você não pudesse usar camiseta ou casaco. Nunca.
Apertou minhas nádegas com força. Ela estava me deixando louco, Droga! Virei-me de frente pra ela a encarando com uma carranca.
— Sério. Para com isso. — Tentei falar no tom mais sério possível. Ela ficou na pontinha dos pés, pegou meu rosto entre as mãos e me deu um selinho, depois fez um bico – fofa. Derreti um pouquinho.
— Ok.
— Ok — repeti suspirando. — Vou te colocar na cama.
— Ficar comigo lá também? — perguntou com o ar cheio de excitação.
Fiz uma careta.
— Até eu dormir. — completou, tombando a cabeça para o lado;
— Vou pensar no seu caso.
Entramos em casa, e Lila puxou meus braços por cima de seus ombros. Abracei-a por trás, dei um beijinho em sua bochecha enquanto subia com ela pelas escadas e pensei que aquilo tudo realmente era muito, muito gay e se ela fosse contar para alguém, eu negaria que esse lance de entrelaçar dedos e abracinhos aconteceu. A levei até seu quarto, e tirei sua roupa molhada, para que não pegasse um resfriado. Juro que dei tudo de mim para me controlar, o corpo dela era lindo, e eu estava excitado – muito excitado – mas tenho ética, jamais me aproveitaria de uma mulher bêbada - mesmo que essa mulher fosse extremamente gostosa e estivesse completamente nua na minha frente.
Depois que tive certeza que ela não ia vomitar tudo que tinha bebido nem me assediar um pouco mais, coloquei-a na cama e deitei uns quinze minutos com ela, de conchinha. De novo, gay…
— Jared? — sussurrou com a voz sonolenta.
— Lila — respondi.
— Obrigada.
— Por?
— Pela carona, e... Por não ter se aproveitado. — bocejou fechando os olhos, enquanto eu acariciava seus longos cabelos macios.

Fiquei ali por alguns minutos, analisando seu quarto minusculo, cheio de pôster do Kurt Cobain colados na parede, a cama vintage, com luzinhas amarelas penduradas na cabeceira, uma máquina de escrever velha na escrivaninha e uma pequena estante cheia de livros ao lado, sorri. Ali era mesmo bem diferente de meu quarto luxuoso e moderno.
Éramos sem dúvidas muito diferentes, e finalmente eu entendia o verdadeiro significado da frase “Os opostos se atraem”.
— Lila? — indaguei baixinho, quase em um sussurro.
Sem resposta, apenas o barulho da chuva caindo lá fora... Me levantei, e a cobri com o edredom. Parei de frente pra cama com as mãos nos bolsos, admirando-a por um instante. Sua feição era calma e tranquila, parecia um pouco mais nova do que realmente era, quase como uma criança. Beijei sua testa suavemente e sussurrei:
— Durma bem.

Sai da casa, e caminhando pelo gramado não pude evitar de pensar em Lila, em sua pele suave, em seus lábios macios e cálidos, e em seus beijos, seus beijos.
Mas foi só quando cheguei no carro que me toquei que nenhum deles havia tido gosto de álcool.


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