~TheSupremeQueen

TheSupremeQueen
Yuri Killer Girl
Nome: Emiliane Maforte
Status: Usuário
Sexo: Feminino
Localização: Indisponivel
Aniversário: 5 de Fevereiro
Idade: 24
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Os olhos falam.


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Os olhos falam.

*Apenas o desabafo de uma alma sofrida. Publiquei-o aqui por não querer o perder.*

~*~

Mãos que me acalmavam e me abraçavam em momentos de aflição. Mãos que eram amigas e me juraram proteção.
Eu acreditei.
Acreditei que poderia confiar e confiei. Acreditei que ninguém me faria mal e errei. Acreditei que, por você, seria protegida. Entreguei-te minha pureza, minha inocência e meu companheirismo. Fiz de você parte de minha família, literalmente, diferente de você, que nunca me apresentou aos seus pais de bom grado, mas porque eu, muito, insisti. E você me traiu da pior forma possível.
Não foi com outra pessoa; não precisou de mais ninguém. Foi você e apenas você.
Os sinais de quem você era vieram de forma sutil. Primeiro me afastou da minha família, me distanciando de todos. Talvez quisesse que eu não fizesse parte dela, da mesma forma que nunca fiz da sua. Incentivava meu desentendimento com minha avó e fez com que minha melhor amiga, minha prima, mal trocasse duas palavras comigo.
Eu me sentia cada vez mais só. Não era como nos contos de fadas. Talvez fosse melhor ter permanecido no primeiro “não” quando fez a maldita pergunta: “quer namorar comigo?”. Talvez não tivesse passado pelo que passei; talvez tudo tivesse sido mais fácil, mas entre tantos “talvez” uma única coisa é certeza: eu não teria um buraco no peito hoje.
O tempo passou e tudo piorou. A solidão era cada vez maior. Não me sentia à vontade perto de você. Não gostava de te beijar, tampouco ser sua. Eu tinha nojo, mas eu só tinha você, não é mesmo? Passou a sair sem falar comigo. Ia para festas, boates, programas com seu irmão e amigas de sua cunhada. Se fosse o contrário, vivenciaria um inferno de perto.
Fui aprendendo a me calar.
Não tinha mais interesse. Não era mais feliz. Não vivia. Sobrevivia, dia após dia, fantasiando – tola, eu, não? – que não poderia ficar pior.
Não.
Essa palavra martelava persistente em minha cabeça, atormentando-me as noites de sono, até que ele – o não – escapou da minha boca pela primeira vez. Ainda acreditei que escutaria, entretanto, insistiu e me venceu pelo cansaço.
Quando estávamos vendo um filme, o que era para ser um momento agradável, sua perseguição recomeçou e o "não" saiu mais uma vez. Nesse dia, nem me questionou, apenas fez o que quis. A cada dia me sentia mais suja e responsável por te fazer "feliz", afinal, era sua parceira. Não conseguia ver que aquilo não era "te fazer feliz", e, sim, sanar suas vontades e caprichos. Sentia-me culpada por não ter vontade de me entregar e me sentia ainda pior por nunca tê-lo desejado.
Uma imunda! Era isso que eu era.
Era uma imunda por não saber responder as perguntas que me fazia, como: “que ator acha gostoso pra eu ser igual?”. Ou: “Como não acha nenhum homem gostoso? Isso é impossível”. Sentia-me suja por olhar para as mulheres na rua e deseja-las.
Sentia-me apenas como um objeto sexual a seu bel-prazer.
Em uma noite, dormia em minha cama totalmente vestida, quando senti meus demônios voltarem. Primeiro quis acreditar que era um pesadelo, não era real, mas a quem queria enganar além de mim mesma? Acordei e me remexi, mas você fez um gesto em desgosto, então silenciei minha boca, deixando que meus olhos gritassem por ela.
Não comia, não bebia, apenas ia da cama para o banheiro e vice-versa.
Depois de alguns anos assim, consegui me libertar daquelas malditas correntes que me prendiam. Principalmente daquela que você mais reforçou: a insegurança de que outro alguém me faria feliz.
Graças a um anjo, hoje sou feliz. Mas não é por viver minha felicidade que esqueci minhas dores.
Nunca vou esquecer. Nunca vai se curar por completo. Não vai deixar de doer. Mas vou resistindo e existindo, mostrando a mim que eu posso ser feliz e amada simplesmente por ser livre e ter a liberdade de dizer “não” sem medo algum.

Escutando: Strong - London Grammar
Lendo: Relendo Percy Jackson
Jogando: GF
Bebendo: Café preto

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