This is War


Postado

Abro os olhos pesadamente. Tudo estava turvo, nada era corretamente visível ou perceptível. Talvez já tenha chegado ao destino final, o céu. Poucos minutos passam se e vejo tudo com maior claridade. Sento-me gemendo baixo pelas dores que sentia na maior parte do corpo. Estranho o quarto onde me encontro. É bastante bonito e tem aparência de um quarto de princesa. Mas o que eu estou aqui a fazer? Deixo um pouco essa pergunta de lado e admiro o quarto. Os móveis são antigos, mas dá certo charme, as paredes são da cor bege, não entro no banheiro ali presente, mas pelo que se vê da cama parece bem luxuoso e no teto está preso um lustre com cristais verdadeiros. A cama é muito confortavél e sem qualquer engano os lençóis são de pura seda. Mais uma vez julgo estar no céu. Fico olhando para o nada sem saber bem o que pensar até ser retirada dos meus pensamentos por uma ardência na minha mão. Na palma estava marcado um “X” que por conta do sangue ficara vermelho. A tal ardência foi desaparecendo ao mesmo tempo em que o sangue começava a dar lugar a uma cicatriz. Eu lembro-me desta marca. Se estiver certa isto não é o céu, mas sim ainda a dura realidade. Antes de tirar qualquer outra conclusão escuto um fino grito. Parecia ser de uma garotinha. Uma pequena garotinha. Os gritinhos eram de socorro e também se ouvia o seu choro. Estava confusa, muito mesmo, mas essa confusão não é suficiente para esquecer-me da voz da minha pequena garotinha. Ignoro as dores e levanto-me daquela cama saindo apressadamente do quarto. Acabo dando uma rápida olhada no meu vestuário. Um uniforme negro com o tal X marcado em vários locais. Não há tempo para isto. Sigo o som dos gritos o mais veloz que posso. A partir dos gritos sentia ainda mais dor. É verdade. Ao se amar muito alguém sente se as dores desse alguém. Finalmente chego ao destino. Abro os enormes portões entrando num tipo de sala do trono. Olho para cima, para baixo, para todo o lado à procura da minha pequena.
- Demorou. – aquela voz, a feiticeira minha suposta mãe, Loreen – Procurando isto? – ela estende o colar que usava, na pequena bola de cristal vejo a minha loirinha chorando – Espero que tenha gostado da sua roupa e do seu quarto. – ela dá a sua risada doentia
- O que você pretende com isso? E porque me salvou? – falo firme e a olho friamente
O seu sorriso cínico desapareceu nesse mesmo instante. Ela anda até mim de uma forma lenta, com um olhar ameaçador. É quase que intimidador, mas eu não posso desabar agora. Fico parada no mesmo lugar.
- Você é uma verdadeira ingrata Rachel. – ela me olha sem qualquer expressão
- Como? – a olha ainda mais confusa do que antes
- Quando vai entender que é uma ingénua idiota? – ela dá passos lentos a minha volta – EU fui a única que ajudou você, EU sou a única a se preocupar com você, EU sou a única que quer saber de você. – ela para de andar atrás de mim – Será que é tão cega para não ver a verdade? Você não passa de um brinquedo, uma diversão. Você não passa de uma inútil substituível. Eu salvei você da morte. E à sua filha também. Eu sou a única que se importa com você, minha filha. – apenas escuto cada palavra engolindo tudo – Mas já está na hora de aceitar o seu destino...se aliando a mim.
- Nunca. – a olho dura, ela podia estar falando todas as verdades, mas nunca poderia aceitar tal proposta.
- Eu já tinha essa noção de resposta sua. Mas nós temos aqui dois probleminhas. – ela faz um beicinho e ri de novo
Apenas a olho querendo saber quais seriam.
- Bem... O primeiro... A sua filhinha está viva. Eu a revivi só que acabei prendendo ela nesse cristal. Ohh mas que pena que eu tenho. Apenas liberto ela se aceitar se aliar a mim. O segundo... Sua família já são as minhas marionetas e se você se preocupa mesmo com a vida desgraçada de cada um deles. Vai aceitar. – ela estala os dedos e a parede ao nosso lado começa a subir rapidamente
Todos eles estavam ali alinhados. Com o mesmo uniforme que eu uso. A única diferença é que eles tinham armas bem distribuídas pelo mesmo. Fiquei aliviada pelos ver vivos, mas preocupada ao vê-los da forma que estão. Nenhum deles sorri, parecem todos mortos na verdade. Todos tinham um punho ao peito e o outro punho nas costas, sendo um tipo de continência. Estavam todos ali, mas não eram eles.
- Só está faltando você. – viro meu rosto perplexo a olhando sem saber o que fazer – Então o que escolhe?
Olho para eles perdida. Se eu aceitasse ficaria assim. Perdida. Como eles estão. Como a Loreen se perdeu. Volto meu olhar para ela mais precisamente para o colar onde estava minha filha.
- Pense no que é certo. – ela joga o colar para mim
Admiro a minha loirinha e deixo uma lágrima cair. Ela olha para mim sorrindo e grita mamãe aliviada. Acaricio o cristal a acalmando.
- Vai ficar tudo bem. Você vai ficar bem. – respiro fundo
Sim. Isso é o certo a ser feito.
- E então? – sinto o olhar impaciente de Loreen queimando sobre mim – Pode por o colar se sentir mais próxima da sua filha. – ela ri de novo, começa a irritar.
Eu ponho o colar facilmente. Assim poderia ter certeza que a minha pequena ficaria bem.
- Eu aceito, mas você terá que fazer os possíveis para libertar a minha filha.
- Não será tão fácil quanto pensa. Mas de acordo. – ela estende a mão
Mais uma vez respiro fundo e com a mão aonde tinha aquela marca aperto a mão dela.

[...]


Começo a esmagar o crânio de outro lobisomem. Pela nova atualização que fiz nas botas é muito fácil destruir a cabeça de alguém em poucas pisadas.
Olho para Vick que aponta a morte de mais outro lobisomem no nosso relatório virtual diário. Essa mudança foi mais dificil para mim. Não tive nenhuma lavagem cerebral. Tive que mudar pelas circustânicas. Acaricio o cristal e sorrio para Rebecca que sorri de volta. É por ela que eu tenho que ser o que sou agora. Uma caçadora a sangue frio. Como os outros. Não era suposto ser assim. Não era suposto termos que ser os vilões da história. Mas os tempos mudaram. Não posso fazer mais nada senão obdecer às ordens de Loreen. Ela conseguiu. Ela tem-nos a todos como as suas marionetas. Para além da minha familia existem milhares de outros caçadores envolvidos. Todos perfeitos nesta matéria de assassinar. Ela tem o seu próprio excército de caçadores. Sem esquecer as criaturas da escuridão. As mais poderosas são os bichinhos dela. Se eu pudesse voltar atrás me garantia de nunca a ter conhecido em criança. Talvez fosse diferente. Talvez...
- Temos que voltar à sala de treinos. – Vick me retira dos meus pensamentos trepando uma arvóre e pulando para as outras
- Sim... -dou um leve beijo no cristal fazendo a loirinha rir e faço o mesmo que meu irmão
É uma questão de tempo. Talvez não tanto assim. Mas a verdade é que em breve essas florestas vão virar um verdadeiro banho de sangue. Porque está na hora dessa guerra começar.


Gostou da Jornal? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...