Kathrine na província Hondurágua


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Kathrine na província Hondurágua



Pov Kathrine

Pego minha mochila com algumas roupas, não sem antes me olhar no espelho, acho que estou apresentável, mesmo usando calça, botas e jaqueta. Explicaram que é uma viagem para trabalho, ou algo parecido e pelo que sei meu destino é uma das províncias mais pobres de Illea, então não vejo necessidade de usar roupas chiques ou salto alto, a aparência não vai importar muito, tenho que mostrar que posso ser uma boa rainha, além disso, se precisar posso comprar, levarei meu cartão de crédito. Me despeço das criadas e sigo com meu irmão até o salão principal, pedi a Ahren e ele concordou que o Chris fosse comigo.
As outras meninas chegaram depois de alguns minutos, Katherine tinha tantas malas, achei que os soldados iriam ser carregadores. Logo após as instruções de segurança e despedidas (aí é com vc fazer Ahren se despedir de todas) pegamos o carro até o aeroporto, muitas pessoas estavam no caminho, acenando, com cartazes nas mãos, mas me concentrei em meus pensamentos.
_Tome. –Chris me entrega uma arma com dois cartuchos, os outros soldados estranham, mas não dizem nada. –para o caso de precisar.
_Obrigado. Então o que falaram sobre a província? –pergunto enquanto carrego um dos cartuchos na pistola e coloco outro na bota ao lado da minha adaga.
_Tudo o que passamos. –responde olhando no fundo de meus olhos e entendo perfeitamente o que diz, respiro fundo e assinto.
Quando chegamos ao aeroporto, o que não foi uma tarefa fácil devido a quantidade de gente, fizemos o check-in e embarcamos. A viagem foi um pouco longa, consegui cochilar, fazer uma lista de algumas coisas que sei que sempre pode ser melhoradas, conversei um pouco com os guardas, mesmo o Chris irritando com suas piadas e histórias da nossa infância.
Ao desembarcarmos vimos uma equipe de filmagem esperando. Segundo eles tudo será televisionado para o jornal oficial, quando saímos tudo parecia normal, as pessoas olhavam, talvez me reconhecendo ou estranhando os guardas, mas não diziam nada, apenas ignoravam. Bastou pegar o carro e em alguns minutos a paisagem mudou completamente, ruas não estavam calçadas, barracos feitos de madeira e papelão, um ambiente degradante, fábricas jogando poluição no ar o deixando insuportável, olho para o meu irmão e vejo que ele se faz a mesma pergunta, como alguém pode viver nessas condições?
No hotel fomos bem recebidos, algumas empregadas me olharam torto e apenas ignorei. Instalamos e logo em seguida nos reunimos na sala para discutir o que faremos primeiro.
_Quero reconhecer o local primeiro, podemos sair e andar pela cidade. –sugiro.
_Isso pode ser perigoso. –um dos guardas afirma.
_Não posso ficar aqui, tenho um trabalho a fazer. Vamos sair e vocês podem ir como civis, para não chamar a atenção, ninguém vai pensar em fazer nada. –digo e todos parecem concordar. –ótimo, então vamos levar o almoço, assim não teremos que voltar para o hotel tão cedo. –assim que definimos as rotas, nos arrumamos e começamos a caminhada, percebi a falta de verde e infraestrutura em geral, ruas esburacadas, as pessoas não tinham um aspecto saudável e tossiam frequentemente por causa da poluição, passamos por um hospital lotado provavelmente sem medicamentos ou médicos, o chão estava com fuligem e o ar seco.
Não conversei com a população ou perguntei do que precisavam, posso parecer insensível, fria, até mesmo distante, mas a observação é meu forte, não precisamos de palavras quando a realidade fala por si, prefiro agir quando menos esperam como um relâmpago rápido e preciso (uma frase da Arte da Guerra)
Depois de muito andar paramos numa das poucas praças que vimos, começamos a comer observando dois garotos brincando. Até que um deles se dirige até nós.
_Me dá um pouco? –o garoto de pouco menos de 7 anos pergunta para Christopher que sorri.
_Claro, senta aqui. –após se sentar no colo de meu irmão ele começa a comer. O outro observa de longe e o chamo.
_Quer também? –pergunto ao se aproximar, ele assente e se senta ao meu lado.
_Senhorita Evans, você e o guarda são irmãos? –o repórter questiona.
(ps: a câmera dele estará em cima da mesa filmando e ninguém vai perceber)
_Sim. –rimos ao responder em uníssono.
_Porque deram a comida para eles? –estamos num interrogatório.
_Por que já passamos por isso. –respondo direta.
_Como? –pergunta não entendendo.
_Nascemos 7, conhecemos essa realidade. –Chris explica. –já passamos fome, pegamos do lixo...
_Já passamos por isso. –repito o cortando antes que fale demais. –e não vamos morrer de fome se pularmos uma refeição. –encerro o assunto. Estávamos nos despedindo das crianças, quando o telefone toca, depois de alguns minutos o soldado avisa que nos esperam numa escola, pois o prefeito iria reunir os alunos, como seria um bom lugar para a filmagem, caminhamos até lá.
A quadra estava quase vazia se não fossem algumas crianças brincando num canto do pátio, me aproximei e vi que era um jogo de baralho, perguntei se podia jogar e eles hesitaram, mas acabaram concordando, depois os garotos foram jogar bola e fiquei observando até que algumas pessoas surgiram seguindo um homem provavelmente o prefeito, me despedi das crianças e esperei que ele viesse até mim. Abrindo um grande sorriso ao me cumprimentar, percebo que suas roupas são de marcas famosas, além do anel de ouro e abotoaduras de diamantes.
_Boa tarde senhorita Evans. –diz beijando minha mão. –é um prazer tê-la em nossa província.
_É um prazer conhecê-lo senhor, estou feliz por estar aqui. –digo cordialmente e seu sorriso se alarga.
_Podemos começar então. Já estamos todos aqui. –sentamos na arquibancada e começaram as apresentações, crianças de diferentes turmas cantam, dançam, citam poemas e fazem discursos, não deixei de perceber a dificuldade na leitura da maioria. Até que o prefeito decide que eu tenho que falar alguma coisa de ultima hora. Olho de soslaio para o meu irmão que contém a gargalhada. Respiro fundo e pego o microfone.
_Boa tarde a todos, primeiramente me sinto honrada de ter sido escolhida para vir a essa província, estou aqui com um propósito e nada me fará desistir. –começo e todos me observam. –Certo dia me perguntaram, qual a base para uma sociedade melhor? Respondi a educação, acredito que a educação, é o único caminho para conseguirmos um futuro melhor, mas quem fará o nosso futuro? Lhes digo que o futuro está em nossa frente. As crianças são nosso futuro, por meio delas que construiremos uma nação melhor. Eduquem nossos jovens e não precisaremos punir nossos adultos. –tomo fôlego e continuo. –A educação me deu ensinamentos que levarei para toda a vida, são eles disciplina, honra, força de vontade, ética, coragem para enfrentar os obstáculos e acima de tudo respeito. Respeito pelo meu próprio corpo ao saber meus limites e tentar superá-los, respeito ao meu mentor que possui mais conhecimento, respeito ao meu aprendiz que busca o mesmo conhecimento e respeito ao meu próximo, não adianta termos o poder, a força se não usarmos com sabedoria será como um corpo sem cérebro, uma maquina sem motor, totalmente inútil. –me aproximo de uma menina que está sentada e pergunto. –O que quer ser quando crescer?
_Soldado. –fala sorridente. E as pessoas riem.
_Meninas não podem ser soldados. –um garoto se intromete.
_O futuro pertence às pessoas que acreditam na beleza de seus sonhos, nada é impossível se acreditarmos. –digo e se vira para a menina. –o que vai fazer quando for soldado?
_Ajudar as pessoas. –responde feliz.
_Teremos uma futura heroína, senhoras e senhores. –anuncio e todos riem mais uma vez. –mas falta algo. –fingo pensar. –todo herói merece uma medalha não é mesmo? –mostro a palma da mão e passo pela orelha da menina, fazendo uma mágica tirando um broche de rosa vermelha e sussurro. –a primeira medalha de muitas, espero poder ver todas. –ela me abraça, mesmo surpresa retribuo. –Dos sonhos. –termino me levantando. –surgiram grandes invenções, nos transformamos, adaptamos, somos o que somos pq alguém acreditou e realizou, não podemos desistir, o futuro está em nossa frente, basta cuidarmos dele.
Quando enfim terminamos o prefeito me convidou para um jantar que será oferecido na sua casa em alguns dias, não estava muito animada, mas não poderia recusar. À noite no hotel comecei meu trabalho organizando projetos e ideias, revendo mapas da cidade, nos dias seguintes visitamos uma fábrica, mesmo sendo bem recebida pelo dono que falou em possíveis parcerias com o governo, quis ver toda a estrutura, pedi a um dos guardas que perguntasse discretamente a algum operário qual era a carga horária da jornada de trabalho e como previ mais de 10 horas de expediente.
Ao sair de lá observei as chaminés, peguei o papel do bolso da jaqueta e anotei: Prédios, Filtros, Energia, Mapa, Contas, isso seria útil na reunião. Comprei um vestido antes de voltar pro hotel, as 8 já estávamos em frente a casa, ou melhor palácio do prefeito. Em porte menor, porem não menos luxuosa.
_Para uma província tão pobre... – Chris comenta no meu ouvido e assinto entendendo o resto.
Dizer que foi fácil suportar esse jantar seria mentira. A quantidade de orações e mantras que entoei mentalmente não pode ser contado. Sem mencionar em tantos esnobes num mesmo ambiente deixava o ar insuportável, a primeira-dama no meu pé contando sobre suas viagens, da porcelana asiática e talheres de prata e ouro me deixou irritada, até um cego vê que o dinheiro é do povo, como se não bastasse a filha do governador que resolveu me contar de suas festas, tive que incentivá-la a contar tudo, ela me daria muitas informações sobre esse provável desvio de verba.
Cheguei mais que irritada no hotel, todo o jantar foi mais do que minha capacidade mental permitia, sentia nojo, ódio, revolta. A primeira coisa que fiz ao chegar foi socar o espelho da sala, mas não senti nada, estava anestesiada.
_Isso não vai ficar assim! –gritei sentindo lágrimas descerem pela minha face, lágrimas de raiva.
_O que você vai fazer? –Christopher me pergunta preocupado e pronuncio a única palavra de sibila na minha mente.
_Justiça.


Na reunião dei a desculpa que sou desastrada e me machuquei, para justificar a mão enfaixada. Assim que começamos, apresento minhas propostas como solução de emergência, filtros nas chaminés das fábricas, planejamento urbano para uma futura reestruturação da cidade, citei terrenos abandonados que vimos em diversos lugares onde podem ser reutilizado para construção de edifícios residenciais para a população e áreas verdes para melhoramento do ar, como investimentos a longo prazo, o uso de energia sustentável, a despoluição dos rios, reutilização dos resíduos das fabricas, diminuição dos impostos para as que reciclam e poluem menos, entre outras possibilidades viáveis, mas como todos os políticos dizem que precisam de mais verba para diversas coisas, começo a me irritar, se acham que eu sou idiota estão muito enganados.
_Quero ver as contas do Estado. –digo e eles olham espantados.
_Pq? –o prefeito pergunta.
_Nada demais, só gostaria de dar uma olhada. –respondo inocentemente e ele concorda. Quando pus os olhos nos números pude perceber que o salário do prefeito não condizia com seu padrão de vida atual e que eram investidos muito dinheiro nessa província coisa que não se vê na realidade, como imaginava. –poderia falar com o senhor em particular? –peço, ele estranha, mas concorda. –só gostaria de avisá-lo que informarei ao rei sobre tudo o que está se passando aqui.
_Do que está falando? –me questiona nervoso. –não compreendo.
_Então somos dois, me explique, como alguém consegue comprar talheres de prata que equivalem a 5 meses de seu salário? –pergunto calmamente.
_Onde quer chegar? –se esquiva irritado.
_Em lugar nenhum, só estou lhe informando que irei me reportar ao rei sobre tudo o que vi. –respondo direta.
_Não sabe com quem está lidando garota. Está mexendo com pessoas perigosas. –me ameaça finalmente se revelando, porém é mais importante ser mais inteligente do que o inimigo do que mais poderoso.
_Não me ameace. –falo irritada. –o senhor não me conhece, não sabe do que sou capaz. –sentencio abrindo o casaco, mostrando a arma na minha cintura e ele dá dois passos para trás. –vou buscar a verdade e ninguém irá me impedir. –saio sem esperar resposta, não esperarei mais um segundo sequer, voltarei hj a Angeles, isso é uma questão de honra.




Escolha uma das frases:
1 - Triunfam aqueles que sabem quando lutar e quando esperar.
2 - Não é preciso ter olhos abertos para ver o sol, nem é preciso ter ouvidos afiados para ouvir o trovão. Para ser vitorioso você precisa ver o que não está visível.

3 - Seja rápido como um trovão que retumba antes que se tenha podido tapar os ouvidos e veloz como o relâmpago que brilha antes de ter podido piscar.



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