História Farce - Capítulo 18


Escrita por: ~

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Palavras 2.454
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


HELLOOOOOO!!
Estava com saudade de postar esta história.
Primeiramente, preciso agradecer a cada comentário que recebi no capítulo passado. Eu me apaixonei por cada um deles. Em especial, pelo da Charlotte. Para quem não sabe, ela é uma mulher trans quem leu a minha história e se sentiu honrada pela maneira como abordo este tema na fanfic. Acredito que este foi o melhor alcance que eu poderia imaginar que Farce teria.
Sou muito grata à cada favorito e comentário que eu já recebi nesta história. Ela é a minha preferida, e vocês, leitores, tornam ela ainda mais real. Muito obrigada mesmo!
Como demorei a atualizá-la, acredito que eu deva algumas explicações:
Primeiro de tudo, Farce é o novo layout do blog Runaway Designs, então esperei os recém-chegados ficarem "em dia";
Outro, tive um bloqueio tremendo com este capítulo, mas passou (amém cezar).
Este capítulo é dedicado à Raquel, quem me inspirou muito neste momento de apagão e, me baseando nela, consegui escrevê-lo. Obrigada por sempre estar comigo direta e indiretamente, amiga ♥ e à Jéssica, óbvio. Leia, você verá o porquê.
Desculpem a nota gigantesca. Quase 330 favoritos merece um textão, eu jamais imaginaria chegar à esta marca. Mais uma vez, muito obrigada.
Boa leitura!

Capítulo 18 - Réalisation


Fanfic / Fanfiction Farce - Capítulo 18 - Réalisation

Realização

Paris, 13 de Julho de 2015.

Branco. Madeira. Luz. Tudo está pronto. É como um sonho. Nunca imaginei que eu fosse capaz de realizar alguma coisa tão incrível por alguém.

Em toda a minha vida, fui um menino quem nunca terminava as coisas. Quando começava um diário, largava-o; quando um jogo, desistia; se, por ventura, engatasse num namoro, terminava-o por algum motivo tolo; até mesmo no colégio, as lições de casa eram abandonadas. Não sou bom em comprometimento. Aliás, não costumava ser. Agora, diante da brasserie pronta, início um novo período em minha vida: o que alcança os objetivos.

Com as mãos nos bolsos do jeans, meus orbes percorrem cada pedaço do salão organizado. As cadeiras acolchoadas estão enfileiradas em dois lugares por mesas, outras em quatro e, apenas duas, em seis. Quero deixar um ar de local ideal para vir em casal ou exausto depois do trabalho para relaxar.

Tudo aqui é básico. A decoração não tem intenção de ostentar ou refinar um ambiente com o propósito descontraído. Escolhi tons amadeirados para que contrastassem com as paredes brancas — ou gelo, como dizia na lata de tinta. Apesar do pouco luxo, a cervejaria não ficou simplória em demasiado. Exatamente como eu queria, o lugar é confortável e aconchegante. Na minha opinião, está perfeito.

Uma tábua com tons ébanos reveste as hastes e tampo do bar em frente à cervejeira. A madeira maciça foi escolhida a dedo por conta da durabilidade e capacidade de manter uma temperatura mais amena. Cada escolha foi minuciosamente calculada para o sucesso. Este lado do salão é o que mais me surpreende. Justamente onde danificou com o vazamento de meses atrás e destruiu o equipamento caríssimo. Todavia, estou longe de me arrepender da decisão.

Vir à França foi a melhor escolha que eu já fiz em toda a minha vida, abrir a brasserie foi a segunda. Sinto, dentro de mim, que o sorriso da Chloé ao enxergar o que fiz valerá cada centavo gasto nesta reforma. Não posso deixar de pensar no meu pai e em quanto sou grato a ele por ter embarcado comigo nessa viagem louca por amor.

Reformado, reestruturado e prestes a recomeçar.

Neste local será dado o meu recomeço, a minha nova era.

Suspiro, extraindo de mim toda a tensão que se mistura ao meu sangue e, assim, percorre as veias. Meus olhos com coloração de caramelo migram para o lado, avistando o homem magrelo e comprido com a barba por fazer. Os lábios do rapaz estampam um sorriso grandioso, assim que une as mãos em frente ao peito.

— Justin, você mandou muito bem! Aqui está incrível! — pronuncia-se o vizinho, rompendo o silêncio. — Se a Chloé não quiser, eu quero. — diverte-nos, quando gesticula amplamente com as mãos, outrora em frente ao corpo.

Bufo, retirando as minhas dos bolsos.

— Será que a brasserie fará sucesso? — indago, apreensivo.

— Amigo, fale sério: cerveja, queijo brie e barman bonito... O que pode dar errado aqui? É claro que este lugar será um arraso, Jay. Paris inteira amará este lugar.

Não posso conter a gargalhada de escapar a garganta. Combinei com os funcionários recém-contratados para participarem de um treinamento. Pierre, quem nunca perde tempo, analisou cada um que chegava. Os cozinheiros, as garçonetes e o barman. O homem responsável por preparar as bebidas possui um rosto absurdamente belo, devo admitir. Ouso a dizer que se parece com Stephen Amell. Claro que o vizinho repararia na beleza em abundância.

— Tenho certeza de que em menos de dois dias, após a inauguração, você o atacará. — ele assente com os lábios a estampar um sorriso. Nem se quer se preocupa em negar. — Por favor, fora do meu local de trabalho.

— Você fala como se eu fosse uma vadia, gringo. Eu gosto de transar em casa... tenho vizinhos para incomodar. — provoca. A frase surte o efeito certeiro.

Recordo-me ligeiramente dos gemidos altíssimos os quais interrompem grande parte das minhas noites de sono profundo. Afasto a franja loira caindo sobre o meu olho direito, soltando a respiração vagarosamente.

— É... Sei bem como os seus vizinhos sofrem.

Dividimos algumas risadas, mas ele não tarda a tentar se defender.

— Poxa, eu digo que este moquiço fará sucesso e você se preocupa somente com o elogio que fiz ao barman. Nunca mais serei fofo contigo. — rebate, em forma manhosa. O francês está certo. Ignorei o incentivo dado, preciso me redimir.

— Sabe do que precisamos? Vê-lo ao trabalho. — não posso conter o semblante malicioso. — Louis, ajude-nos com um chope, por favor?

Pierre nega com a cabeça, esticando os lábios num sorriso também.

— Dois, por favor. — ergue o dedo indicador ao solicitar um para si.

— Deixe comigo, sr. Bieber.

Os braços musculosos elevam o tampo para que o corpo parrudo possa passar, abaixando-os. Familiarizado com o equipamento, liga-o e despeja na caneca lavada sobre a bancada d’outro lado do balcão. Os dedos calosos inclinam a alavanca e o líquido amarelado colore todo a transparência. Seguidas, as cervejas chegam às nossas mãos.

Sem dúvidas, o barril de chope foi uma ideia brilhante do meu avô. Há garrafas de cervejas de marcas específicas e produzimos nosso próprio chope da Heineken. Amargo, típico e a preferência dos inqueridos às praças.

Encaixo minha mão na alça da caneca, sentindo o peso do vidro preenchido. Pierre faz o mesmo que eu, erguendo seu copo e olhando em meus olhos.

— Ao recomeço! — comemoro, prestes a brindar.

— Ao dinheiro entrando no seu bolso e você na Chloé.

Suponho que as minhas bochechas pálidas alcançaram a vermelhidão em questão de segundos, devido ao fervor na região. Gargalho ruidosamente, quase deixando derramar um bocado de chope no balcão.

Sem dizer mais nada, encostei as canecas gélidas. O choque causa um titilar estridente. Digo "brinde!", antes que ele insista nas frases ambíguas em frente ao barman, e, sem tardar, damos um gole na bebida recém-extraída.

O chope à temperatura ambiente é um tanto estranho, para mim, porém, de certa forma, saboroso. Os hábitos franceses têm me encantado cada vez mais, sinto-me quase um nativo. Adaptei-me ao clima suave, às boas maneiras e, até mesmo, ao idioma difícil. Porém, neste caso, devo os créditos a minha namorada.

As aulas com Chloé são bem úteis a mim. Embora pausemos ora ou outra para nos beijarmos, ela é muito profissional e tremendamente paciente. Insistimos nos meus erros a fim de consertá-los e só paramos ao conseguirmos. Graças a isso, quase não tenho mais sotaque canadense ao pronunciar as palavras complexas na língua francesa.

Consigo me locomover e pedir informação a qualquer pessoa. Sei conversar sobre o tempo, culinária e, brevemente, arte. Combinamos de ir ao Louvre, dialogando somente em francês para treinar tudo o que aprendi. No entanto, adio este evento ao máximo. Toda vez em que ela toca no assunto, eu desconverso.

Suponho que a dona dos olhos azuis já tenha percebido o meu protesto.

Céus! Chloé.

Pouso a caneca fria sobre o balcão, rumando a mão para o bolso. Meus dedos ágeis fisgam o celular e destravam-no. O horário imenso na tela me mostra que preciso apressar o treinamento para buscar a professora no curso de francês e trazê-la para cá. Gesticulo para Pierre me aguardar por alguns instantes, levantando-me rapidamente.

Convoco o barman o qual estava a me aguardar para a cozinha e, assim que o parrudo se junta aos demais funcionários, dou início ao breve treino. Lembro-os quanto às boas práticas de fabricação dos alimentos, a importância de tratar todos os clientes de maneira igual e respeitosa, e peço para que se divirtam com o emprego. Quanto mais satisfeitos estiverem em estar aqui, melhor se desempenharão.

Assim que chegamos ao fim, de um em um, os funcionários saem da brasserie e tranco a porta, guardando as chaves no bolso da calça jeans. Encaro o céu mudar de cor do azul para um cinza escuro. Estas chuvas de verão sempre marcam presença repentinamente. Os ventos súbitos balançam a minha franja e eriçam os pelos dos meus braços.

— Acho melhor não enrolarmos para sair daqui, antes que este pé-d’água nos alcance. — os olhos do vizinho observam as nuvens pesadas sobre nós. — Tem certeza de que buscará a Chloé, Jay?

— Claro, estou ansioso demais para esperar. Não será uma chuva boba que me impedirá de mostra-la o que há meses venho preparando. — protesto, tremendo os braços brevemente. — Irá comigo ou não? — assim que a frase é cuspida de meus lábios, uma gota filha única dos céus escorre pela minha bochecha.

O francês nega com a cabeça. Assinto para ele, e viramo-nos para direções opostas. Com o canto dos olhos caramelados, avisto o tamanho do vizinho reduzir até perde-lo de vista em meio às pessoas na avenida larga. As gotículas de chuva começam a ser insistentes.

Rumo meus orbes para o chão acinzentado que começa a escurecer com os toques da garoa. A cada deslize da carga d’água sobre meus braços despidos, mais arrepiado eu me encontro. O caminho para o curso aparenta ser mais distante. Decido por pegar um metrô. Desço as escadas esverdeadas até o subsolo e pego um trem para a Champs-Élysées.

O chacoalhar do metrô aumenta a minha ansiedade, não obstante o aglomerado de pessoas me aquece. A luz sobre o mapa me indica a chegada a estação certa. Em passos lentos, retiro-me do trem. Ultrapasso as pessoas paradas na escada rolante e subo normalmente os degraus.

O calçadão está todo encharcado, assim como a minha camisa. Os fios da minha franja loira grudam no meu rosto, elevo a mão para arrastá-la para o lado levemente. A professora está parada em frente a pequena porta que dá acesso ao curso onde leciona, com o celular na mão. Os olhos azuis se arregalam ao me avistar e se aproximam de mim.

​— O que faz aqui, Justin? Enlouqueceu? Está chovendo. — resmunga, antes de colar os lábios com o batom vermelho por sair nos meus.

— Vim buscá-la, como cavalheiros fazem.

— Hoje é nosso aniversário de namoro e eu não sei? Ou quer transar comigo na sala de aula? Justin, você sabe que, por mais que seja fetiche, eu não gosto de misturar romance com trabalho. — os lábios se movimentavam rápido demais para que eu pudesse acompanhá-los. Sendo assim, apenas solto uma doce gargalhada.

Observo a delicadeza de suas bochechas pintadas em tom rosas claro, como se aquela tonalidade lhe pertencesse. O nariz fino e comprido, os lábios perfeitamente desenhados e os cílios compridos são capazes de me tirar a atenção enquanto ela tagarela. Chloé tem o dom da beleza.

— Você é linda até reclamando! —  exclamo de maneira involuntária, interrompendo-a em meio às críticas.

— O que isso tem a ver? — ela tenta se fazer de durona, mas se entrega ao elogio. — Obrigada, amor. Justin. Eu quis dizer Justin. — corrige-se, consequentemente me arrancando uma risada ruidosa.

— Quero te levar a um lugar. — a francesa ergue uma das sobrancelhas. — Vamos ou não, ... amor?

Rapidamente as maçãs do rosto pálido ruborizam e as íris azuis migram para o chão úmido. Se não me engano, esta foi a primeira vez em que a fiz corar. Inverti o jogo depois de meses. Eu merecia. Sem dizer uma palavra, ela estende a mão, pegando a minha. Nossos dedos laçam entre si, como se os espaços no meio deles fossem feitos para se encaixarem perfeitamente.

Aproveitamos que o táxi não foi solicitado e caminhamos sob a chuva rala. Eu posso perceber um misto de curiosidade e apreensão nas mordiscadas suaves, as quais Chloé dá em alguns instantes. Os assuntos no metrô são aleatórios, despisto as indagações quanto aonde vamos. Avisto a parede de azulejo da estação e me levanto para descermos.

A chuva quase para, mas alguns pingos insistem em cair das nuvens para nos lembrar dela. Contudo, como uma espécie de sorriso dos céus, a garoa cessa, assim que pisamos os pés em frente à porta de madeira pintada de azul. A coloração está vivida, demonstrando que a demão foi recente.

Chloé observa a maçaneta. Não consigo decifrar as inúmeras expressões no rosto da francesa. A placa com o nome da brasserie está coberta com um plástico preto. Realmente, é difícil entender onde estamos.

A mão que estava dada a dela, abandona os dedos finos e ruma o bolso traseiro de minha calça jeans. Fisgo o ilhós com o par de chaves e o retiro do espaço apertado. As sobrancelhas castanhas se unem, quando a loira franze o cenho.

— Que lugar é este? Por que tem a chave daí? — começa novamente o inquérito interminável. — Está trabalhando como corretor? O que houve?

— Você faz muitas perguntas.

Encaixo a chave na fechadura e a rodopio. No momento em que abro a porta, a escuridão da sala aguça ainda mais a curiosidade da professora de francês. Caminho em meio à negritude, e a herdeira de fios loiros faz o mesmo. Aproximo-me do interruptor na parede, acendendo a luz.

Assim que o clarão ganha o imenso salão, o letreiro no centro do restaurante ilumina o nome "LeClaire — Brasserie du Brie".

Ouço um ruído grave.

Viro-me para o lado e me deparo com os olhos azuis incrivelmente arregalados. Uma das mãos alvas cobre os lábios. Certa vermelhidão invade o olhar vibrante, bem como as lágrimas carregam a máscara de cílios para baixo. Os rastros pretos decoram as bochechas outrora rosadas.

— E-eu não sei o que dizer... — no segundo em que a mão abandona os lábios, ela os cerra e estica num sorriso trêmulo.

Para a minha surpresa, o corpo comprido escorrega para baixo, chocando os joelhos no chão. Estranho a reação impulsiva, porém a considero positiva. Ou não. As lágrimas dão espaço a um soluço e uma respiração falhada. Chloé protagonista um escândalo sobre o piso de madeira. Por culpa minha.

— Você não existe! — balbucia ao se reerguer. Os olhos inchados me encaram. — E-eu nunca esperaria por isso. Quando disse que abriria uma loja de brie, achei que estivesse brincando.

— Eu não disse, prometi.

Antes que eu pudesse apresentar a ela a opção vegetariana escolhida a dedo no cardápio para agradá-la, meu corpo é puxado para o dela. Não num beijo, mas um abraço. Os braços magros circundam o meu pescoço. Sem ação, seguro a cintura estreita.

Percebo o rosto delicado afundar na curva de meu pescoço. Com os lábios próximos ao meu ouvido, Chloé murmura:

— Obrigada, Justin. — os sons de choramingo doce alcançam os meus tímpanos. — Este é o dia mais feliz da minha vida.

Não sou forte, tampouco tenho motivos para protestar contra a sensação de missão cumprida ao vê-la assim. Deixando de lado a minha armadura, entrego-me à emoção e permito que as lágrimas preencham meus olhos.

Embora a francesa não tenha sonhado com isso há anos, sinto como se esta fosse a realização de desejo a uma estrela cadente. Porque, nestes braços, percebo que há magia em nós.

 


Notas Finais


Espero do fundo de meu coração que este capítulo tenha emocionado vocês, fiquei ao escrevê-lo.
Obrigada a quem leu até aqui. Semana que vem tem mais.
Todo amor,
Lali

Minha nova one com a Chelly: https://spiritfanfics.com/historia/consequencias-6952602
Minha nova fanfic polêmica (sobre homofobia e feminícido): https://spiritfanfics.com/historia/trauma-6895763
A minha amiga, Jess, começou uma fanficc Jelena muito amorzinho, vocês deveriam ler https://spiritfanfics.com/historia/ambicao-6903241
Farce como layout do RD aqui: http://runaway-designs.blogspot.com.br/


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